Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns!

INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns!

  • COMPARTILHAR NO GOOGLE MAIS

  • NÃO DESCARTO!... RECRIO!

    Estamos inaugurando uma nova sessão no blog para publicar trabalhos feitos com materiais descartáveis.

     

    Acredito que este texto escrito pelo jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano, dá a arrancada inicial com muita competência pois ele retrata exatamente o inconformismo dos mais velhos a descartar objetos. Como sou desse tempo e dessa filosofia, reproduzo aqui, e ilustro, no final, com trabalhos que fiz de filtro/coador de café. É um texto um pouco longo, mas vale apena ler até o fim pela riqueza de detalhes.


    O que acontece comigo é que não consigo andar pelo mundo pegando coisas e trocando-as pelo modelo seguinte só por que alguém adicionou uma nova função ou a diminuiu um pouco…

    Não faz muito, com minha mulher, lavávamos as fraldas dos filhos, pendurávamos na corda junto com outras roupinhas, passávamos, dobrávamos e as preparávamos para que voltassem a serem sujadas.
    E eles, nossos nenês, apenas cresceram e tiveram seus próprios filhos se encarregaram de atirar tudo fora, incluindo as fraldas. Se entregaram, inescrupulosamente, às descartáveis!

    Sim, já sei. À nossa geração sempre foi difícil jogar fora. Nem os defeituosos conseguíamos descartar! E, assim, andamos pelas ruas, guardando o muco no lenço de tecido, de bolso.
    Nããão! Eu não digo que isto era melhor. O que digo é que, em algum momento, me distraí, caí do mundo e, agora, não sei por onde se volta.

    O mais provável é que o de agora esteja bem, isto não discuto. O que acontece é que não consigo trocar os instrumentos musicais uma vez por ano, o celular a cada três meses ou o monitor do computador por todas as novidades.
    Guardo os copos descartáveis! Lavo as luvas de látex que eram para usar uma só vez.

    Os talheres de plástico convivem com os de aço inoxidável na gaveta dos talheres! É que venho de um tempo em que as coisas eram compradas para toda a vida!

    É mais! Se compravam para a vida dos que vinham depois! A gente herdava relógios de parede, jogos de copas, vasilhas e até bacias de louça.
    E acontece que em nosso, nem tão longo matrimônio, tivemos mais cozinhas do que as que haviam em todo o bairro em minha infância, e trocamos de refrigerador três vezes.

    Nos estão incomodando! Eu descobri! Fazem de propósito! Tudo se lasca, se gasta, se oxida, se quebra ou se consome em pouco tempo para que possamos trocar.
    Nada se arruma. O obsoleto é de fábrica.
    Aonde estão os sapateiros fazendo meia-solas dos tênis Nike? Alguém viu algum colchoeiro encordoando colchões, casa por casa? Quem arruma as facas elétricas? o afiador ou o eletricista? Haverá teflon para os funileiros ou assentos de aviões para os talabarteiros?

    Tudo se joga fora, tudo se descarta e, entretanto, produzimos mais e mais e mais lixo. Outro dia, li que se produziu mais lixo nos últimos 40 anos que em toda a história da humanidade.

    Quem tem menos de 30 anos não vai acreditar: quando eu era pequeno, pela minha casa não passava o caminhão que recolhe o lixo! Eu juro! E tenho menos de ... anos! Todos os descartáveis eram orgânicos e iam parar no galinheiro, aos patos ou aos coelhos (e não estou falando do século XVII). Não existia o plástico, nem o nylon. A borracha só víamos nas rodas dos autos e, as que não estavam rodando, as queimávamos na Festa de São João. Os poucos descartáveis que não eram comidos pelos animais, serviam de adubo ou se queimava..
    Desse tempo venho eu. E não que tenha sido melhor.... É que não é fácil para uma pobre pessoa, que educaram com "guarde e guarde que alguma vez pode servir para alguma coisa", mudar para o "compre e jogue fora que já vem um novo modelo".
    Troca-se de carro a cada 3 anos, no máximo, por que, caso contrário, és um pobretão. Ainda que o carro que tenhas esteja em bom estado... E precisamos viver endividados, eternamente, para pagar o novo!!! Mas... por amor de Deus!
    Minha cabeça não resiste tanto. Agora, meus parentes e os filhos de meus amigos não só trocam de celular uma vez por semana, como, além disto, trocam o número, o endereço eletrônico e, até, o endereço real.

    E a mim que me prepararam para viver com o mesmo número, a mesma mulher e o mesmo nome (e vá que era um nome para trocar). Me educaram para guardar tudo. Tuuuudo! O que servia e o que não servia. Por que, algum dia, as coisas poderiam voltar a servir.
    Acreditávamos em tudo. Sim, já sei, tivemos um grande problema: nunca nos explicaram que coisas poderiam servir e que coisas não. E no afã de guardar (por que éramos de acreditar), guardávamos até o umbigo de nosso primeiro filho, o dente do segundo, os cadernos do jardim de infância e não sei como não guardamos o primeiro cocô.

    Como querem que entenda a essa gente que se descarta de seu celular a poucos meses de o comprar? Será que quando as coisas são conseguidas tão facilmente, não se valorizam e se tornam descartáveis com a mesma facilidade com que foram conseguidas?
    Em casa tínhamos um móvel com quatro gavetas. A primeira gaveta era para as toalhas de mesa e os panos de prato, a segunda para os talheres e a terceira e a quarta para tudo o que não fosse toalha ou talheres. E guardávamos...

    Como guardávamos!! Tuuuudo!!! Guardávamos as tampinhas dos refrescos!! Como, para quê? Fazíamos limpadores de calçadas, para colocar diante da porta para tirar o barro. Dobradas e enganchadas numa corda, se tornavam cortinas para os bares. Ao fim das aulas, lhes tirávamos a cortiça, as martelávamos e as pregávamos em uma tabuinha para fazer instrumentos para a festa de fim de ano da escola.

    Tuuudo guardávamos! Enquanto o mundo espremia o cérebro para inventar acendedores descartáveis ao término de seu tempo, inventávamos a recarga para acendedores descartáveis. E as Gillette até partidas ao meio se transformavam em apontadores por todo o tempo escolar. E nossas gavetas guardavam as chavezinhas das latas de sardinhas ou de corned-beef, na possibilidade de que alguma lata viesse sem sua chave.
    E as pilhas! As pilhas das primeiras Spica passavam do congelador ao telhado da casa. Por que não sabíamos bem se se devia dar calor ou frio para que durassem um pouco mais. Não nos resignávamos que terminasse sua vida útil, não podíamos acreditar que algo vivesse menos que um jasmim. As coisas não eram descartáveis. Eram guardáveis.

    Os jornais!!! Serviam para tudo: para servir de forro para as botas de borracha, para por no piso nos dias de chuva e por sobre todas as coisa para enrolar.

    Às vezes sabíamos alguma notícia lendo o jornal tirado de um pedaço de carne!!! E guardávamos o papel de alumínio dos chocolates e dos cigarros para fazer guias de enfeites de natal, e as páginas dos almanaques para fazer quadros, e os conta-gotas dos remédios para algum medicamento que não o trouxesse, e os fósforos usados por que podíamos acender uma boca de fogão (Volcán era a marca de um fogão que funcionava com gás de querosene) desde outra que estivesse acesa, e as caixas de sapatos se transformavam nos primeiros álbuns de fotos e os baralhos se reutilizavam, mesmo que faltasse alguma carta, com a inscrição a mão em um valete de espada que dizia "esta é um 4 de bastos".

    As gavetas guardavam pedaços esquerdos de prendedores de roupa e o ganchinho de metal. Ao tempo esperavam somente pedaços direitos que esperavam a sua outra metade, para voltar outra vez a ser um prendedor completo.

    Eu sei o que nos acontecia: nos custava muito declarar a morte de nossos objetos. Assim como hoje as novas gerações decidem matá-los tão-logo aparentem deixar de ser úteis, aqueles tempos eram de não se declarar nada morto: nem a Walt Disney!!!

    E quando nos venderam sorvetes em copinhos, cuja tampa se convertia em base, e nos disseram: Comam o sorvete e depois joguem o copinho fora, nós dizíamos que sim, mas, imagina que a tirávamos fora!!! As colocávamos a viver na estante dos copos e das taças. As latas de ervilhas e de pêssegos se transformavam em vasos e até telefones. As primeiras garrafas de plástico se transformaram em enfeites de duvidosa beleza. As caixas de ovos se converteram em depósitos de aquarelas, as tampas de garrafões em cinzeiros, as primeiras latas de cerveja em porta-lápis e as cortiças esperaram encontrar-se com uma garrafa.

    E me mordo para não fazer um paralelo entre os valores que se descartam e os que preservávamos. Ah!!! Não vou fazer!!!
    Morro por dizer que hoje não só os eletrodomésticos são descartáveis; também o matrimônio e até a amizade são descartáveis. Mas não cometerei a imprudência de comparar objetos com pessoas.

    Me mordo para não falar da identidade que se vai perdendo, da memória coletiva que se vai descartando, do passado efêmero. Não vou fazer.
    Não vou misturar os temas, não vou dizer que ao eterno tornaram caduco e ao caduco fizeram eterno.
    Não vou dizer que aos velhos se declara a morte apenas começam a falhar em suas funções, que aos cônjuges se trocam por modelos mais novos, que as pessoas a que lhes falta alguma função se discrimina o que se valoriza aos mais bonitos, com brilhos, com brilhantina no cabelo e glamour.

    Esta só é uma crônica que fala de fraldas e de celulares. Do contrário, se misturariam as coisas, teria que pensar seriamente em entregar à bruxa, como parte do pagamento de uma senhora com menos quilômetros e alguma função nova. Mas, como sou lento para transitar este mundo da reposição e corro o risco de que a bruxa me ganhe a mão e seja eu o entregue...

    Agora segue os trabalhos realizados com filtro de café. E atente para o detalhe, nem o pó de café é descartado. Ele é colocado nas plantas para adubação e afastar as pragas.

    Luminária

    DSC00329.JPG

     Outra Luminária. esta pintei de vermelho e acrescentei  laca/verniz

    DSC04502.JPG

     

    Máscara em alto relevo, também realizada com filtro de papel

    DSC00016.JPG

     

     Se você chegou até aqui, é porque é como nós! Mostre seu trabalho! Estamos criando uma nova Sessão no Blog para publicar trabalhos de pessoas que utilizam sucatas em suas criações. Envie fotos para o e-mail elizabete.pazeto@gmail.com com o título : NÃO DESCARTO!...RECRIO! Envie suas fotos e publicaremos seus trabalhos, devidamente creditados a você.

     

    MAIS UM POUCO SOBRE CRIATIVIDADE

    Em nossa sociedade temos o hábito de pensar que o criativo é aquele que se destacou exponencialmente em qualquer atividade: os gênios, os grandes artistas, mas nos esquecemos de pensar naqueles que, no seu dia-a-dia, conseguem superar pequenos obstáculos e "melhoram o mundo a seu redor".

    Aliás, esta observação entre aspas, são palavras de Fayga Ostrower, artista plástica, professora, que já mencionamos várias vezes aqui em nosso blog. Sempre gosto de citar trechos seus, pois refletem pensamentos sobre processos criativos e suas ligações com as pessoas comuns e sua humanidade.

    Na página 112 do seu livro "Criatividade e Processos de Criação" ela diz:

    ..."Acima de quaisquer outras considerações, o que importa é o processo criador visto como um processo de crescimento contínuo no homem, e não unicamente como fenômeno que caracteriza os vultos extraordinários da humanidade. Procuramos entender as potencialidades de um modo mais amplo e mais profundo, no sentido global. Poderia, no caso, tratar-se de um grande artista ou cientista, mas não seria apenas a sua produtividade profissional que consideraríamos, seria, antes, o seu potencial criador como dimensão humana a enriquecer a tudo e a todos aos seu redor. O poder criador do homem é a sua faculdade ordenadora e configuradora, a capacidade de abordar em cada momento vivido a unicidade da experiência e de interligá-la a outros momentos, transcendendo o momento particular e ampliando o ato da experiência para um ato da compreensão. Nos significados que o homem encontra - criando e  sempre formando - estrutura-se a sua consciência diante do viver"... 

    ..." Como ser coerente, ele está mais aberto ao novo porque mais seguro dentro de si. Sua flexibilidade de questionamento, ou melhor, a ausência de rigidez defensiva diante ao mundo, permite-lhe configurar espontâneamente tudo que o toca".

    fayga+ostrower.jpg

     Fayga em seu ateliê.

     

    FLUXO: A NEUROLOGIA DA EXCELÊNCIA

    Escrevi este post em 2012, mas estou republicando-o porque encontrei um vídeo de um TED de Mikail Csikszentmihalyi, citado no post, que achei bastante pertinente para complementar o assunto.

     

    No livro " A Inteligência Emocional" de Daniel Goleman pude esclarecer algo que já havia constatado em meus estudos de Educação Artística e que já havia publicado aqui em outro post intitulado "O outro Ser que Habita em nós", que fala sobre algo que nos toca quando estamos criando.

     

    À primeira vista parece ser um livro de auto ajuda, mas na verdade é bastante científico, esclarecedor, baseado em pesquisas próprias e de outros grandes nomes como Howard Gardner, Michail Csikszentmihalyi

     

    Neste livro, Goleman explica e nomeia esta manifestação como "Fluxo: A Neurologia da Excelência". E cita palavras de um compositor que descreve isso de forma bem próxima a que descrevi há um mês atrás no post:

     

    " Nós entramos em tal nivel de êxtase que parece que não existimos. Tive essa sensação várias vezes. Minha mão parece ser independente de mim, e nada tenho a ver com o que se passa. Simplesmente fico ali observando, em estado de respeito e encantamento. E a coisa flui por si mesma".

     

    Segundo Goleman, este Fluxo que toma conta de nós pode ser desenvolvido e aplicado, inclusive, na Educação.

    Não apenas isso, mas outras manifestações notadamente enriquecedoras e modificadoras para o Ser Humano como a Esperança e o Otimismo. Conforme alguns pesquisadores citados, ele nos diz que a "esperança faz mais que oferecer um pouco de conforto na aflição: desempenha um papel surpreendentemente poderoso na vida, oferecendo uma vantagem em domínios tão diversos como o desempenho acadêmico e em aguentar empregos onerosos". E, diferente de um livro de auto ajuda, ele cita várias experiências realizadas em cada uma destas áreas.

     

    Seria bem interessante aprofundar-se no assunto e aplicar seus métodos para tentar fazer a diferença neste mundo tão carente em construir seres humanos mais reflexivos, solidários, sensíveis e empáticos.

     

    einstein.png

     

     

     

     

     

     

    A ARTE ROMANA - Parte 4 - ARQUITETURA

    INFLUÊNCIAS NA ARQUITETURA

     

    Confesso, que de tudo que vi, o que mais me impressionou nesta Era, foi a arquitetura. Os anfiteatros, as casas de banho, os aquedutos, as moradias...Tudo impressiona, tanto pelo tamanho, como pela suntuosidade, como pelas linhas...Diria...Tudo é monumental!

     

     

    As características gerais da arquitetura romana são:

    * busca do útil imediato, senso de realismo;

    * grandeza material, realçando a idéia de força;

    * energia e sentimento;

    * predomínio do caráter sobre a beleza;

    * originais: urbanismo, vias de comunicação, anfiteatro, termas.

     

    As construções eram de cinco espécies, de acordo com as funções:

    1) Religião: Templos

    Pouco se conhece deles. Os mais conhecidos são o templo de Júpiter Stater, o de Saturno, o da Concórdia e o de César. O Panteão, construído em Roma durante o reinado do Imperador Adriano foi planejado para reunir a grande variedade de deuses existentes em todo o Império, esse templo romano, com sua planta circular fechada por uma cúpula, cria um local isolado do exterior onde o povo se reunia para o culto.

     

     

    O Panteão

     

    2) Comércio e civismo: Basílica

    A princípio destinada a operações comerciais e a atos judiciários, a basílica servia para reuniões da bolsa, para tribunal e leitura de editos. Mais tarde, já com o Cristianismo, passou a designar uma igreja com certos privilégios. A basílica apresenta uma característica inconfundível: a planta retangular, (de quatro a cinco mil metros) dividida em várias colunatas. Para citar uma, a basílica Julia, iniciada no governo de Júlio César, foi concluída no Império de Otávio Augusto.

     

    Basílica de Santa Júlia

     

     

    3) Higiene: Termas

    Constituídas de ginásio, piscina, pórticos e jardins, as termas eram o centro social de Roma. As mais famosas são as termas de Caraculla  que, além de casas de banho, eram centro de reuniões sociais e esportes.

    Thermas de Caraculla

     

    Outra foto das Thermas de Caraculla

     

    4) Divertimentos:

     

    a) Circo: extremamente afeito aos divertimentos, foi de Roma que se originou o circo. Dos jogos praticados temos:

    jogos circenses - corridas de carros;

    ginásios - incluídos neles o pugilato;

    jogos de Tróia - aquele em que havia torneios a cavalo;

    jogos de escravos - executados por cavaleiros conduzidos por escravos;

    Sob a influência grega, os verdadeiros jogos circenses romanos só surgiram pelo ano 264 a.C. Dos circos romanos, o mais célebre é o "Circus Maximus".

     

    Circus Maximus

     

     

    b) Teatro: imitado do teatro grego. O principal teatro é o de Marcelus. Tinha cenários versáteis, giratórios e retiráveis.

     

     

    Teatro de Marcelus, parcialmente conservado até hoje

     

    c) Anfiteatro: o povo romano apreciava muito as lutas dos gladiadores. Essas lutas compunham um espetáculo que podia ser apreciado de qualquer ângulo. Pois a palavra anfiteatro significa teatro de um e de outro lado. Assim era o Coliseu, certamente o mais belo dos anfiteatros romanos. Externamente o edifício era ornamentado por esculturas, que ficavam dentro dos arcos, e por três andares com as ordens de colunas gregas (de baixo para cima: ordem dórica, ordem jônica e ordem coríntia). Essas colunas, na verdade eram meias colunas, pois ficavam presas à estrutura das arcadas. Portanto, não tinham a função de sustentar a construção, mas apenas de ornamentá-la. Esse anfiteatro de enormes proporções chegava a acomodar 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 em pé.

     

    O Coliseu

     

    5) - AQUEDUTOS

     

    Erguido no século I A.C., esse aqueduto de 50 Km de extensão tinha por fim levar água a Nimes, cidade que hoje pertence à França. A parte mais extraordinária da construção é a ponte sobre o Rio Gardon, com 48,77 metros de altura, três ordens de arcos e apoiada em pilares cravados nas rochas. A obra continua em pé até nossos dias, o que prova a qualidade da técnica da engenharia romana. Os Romanos, porém, não se preocuparam apenas em fazer aqueduto sólido, que funcionasse por muitos  séculos: procuraram,  também empregar formas que revelassem beleza. É fácil reconhecer essa beleza nos arcos: áreas vazadas dão leveza à ponte e contrastam com a solidez e a imponência de uma obra de engenharia  que o império Romano deveria ter.

     

     Aqueduto La Guard

     

     

     

    6)  Moradias:

    As casas eram construídas ao redor de um pátio chamado Atrium. O Atrium era construído com todo o esplendor e magnificência que a riqueza do dono permitia. As características mais evidentes do Atrium eram o Compluvium e o Impluvium

     

     

    O Impluvium é uma rasa bacia de mármore, ricamente esculpida e decorada com figuras em relevo. Era destinado à coleta da chuva que caia pelo Compluvium. As colunas de suporte eram feitas de mármore ou cara madeira. Entre esses pilares, ao longo das paredes, estátuas e outras obras eram colocadas. Junto ao impluvium, quase sempre havia um chafariz de mármore.

    O Compluvium era uma pequena abertura no telhado, feito para permitir a entrada de luz natural em todos os cômodos da casa.

     

     

     

    A decoração do Atrium nas casas da roma antiga impressionava pela riqueza de mosaicos e afrescos. (Reprodução digital da Casa di Paquius Proculus em Pompéia, Itália)

     

     

      

    Ruínas do Atrium na Casa do Fauno em Pompéia, Itália

     

     

      

    Mosaico de Alexandre, encontrado no chão da casa do Fauno em Pompéia

     

    Esta foi uma série de 4 posts sobre a História da Arte na Era Romana! Na PRIMEIRA, falamos dos aspectos gerais e das Ruinas de Pompéia, na Parte II, falamos sobre a Pintura , e na Parte III, falamos sobre as esculturas, E  aqui na Parte IV, falamos sobre a arquitetura.

    Nossos agradecimentos ao Roma Gallery ( www.roma.gallery.com ) pelas fotos cedidas. Espero que tenham gostado!

     

    Como criar sites facilmente

    PORQUE A ARTE CONTEMPORÂNEA É TÃO RUIM?

    Acredito que eu não seja a única a não entender nada quando se depara com obras de péssima qualidade estética e conceitos duvidosos ganhando lugar de destaque em galerias de arte de gabarito e museus famosos. Estudo arte há alguns anos, e no final deste, concluo minha Licenciatura em Educação Artística, mas confesso, tenho minhas dificuldades com aquilo que fere meu senso estético.

    Em nossa última visita ao MASP nos deparamos na galeria das esculturas com uma escada amarrada a um bode. Minhas filhas e eu ficamos indignadas ao ver esta coisa grotesca em meio a tantas obras de artistas famosos como Degas, Rodin, Renoir.

    Hoje, uma delas me enviou este vídeo que "lavou minha Alma".

     

    AS MARCAS QUE DEIXAMOS

    Hoje partiu Jacinta, uma querida que tive o prazer de estar junto apenas uma vez, mas que me marcou profundamente.

     

    Jacinta tinha uma peculiaridade interessante: ela pintava embalagens que iam ser descartadas, enchia-as de balas e presenteava a todas as pessoas, até as que ela não conhecia, como é o meu caso. Com toda certeza esta será uma das marcas que ela deixará e será difícil não se emocionar ao tocarmos seus trabalhos.

     

    Impossível não refletir sobre o quanto os objetos manuseados ( Artesanatos) e os que envolvem uma criação (Arte) vêm impregnados de uma energia vital que permanece todo o sempre ao objeto, como se a eles pertencessem. 

     

    Não discutimos aqui o valor artístico ou estético! Nem o valor emocional ligado àqueles a quem o indivíduo convivia. Claro, para a família todos seremos lembrados por tudo que fomos. Falamos aqui desta energia, ou sinergia, que acompanha todo objeto que foi criado por algum indivíduo  para suprir alguma necessidade pessoal de expressão, ou até para preencher seu tempo criativamente. Queremos discutir aqui que a produção humana não pode ser medida apenas pelo que ditam os cânones da Arte, mas também por todo contexto desta produção e pelo que ela encerra em si mesma de afetividade e do proprio trabalho artesanal.

     

    Por isso hoje, ao tocar os objetos que ganhei de Jacinta, abracei-os e chorei muito. Chorei por Jacinta, chorei por mim, chorei por todos nós que temos uma passagem tão breve aqui e que questionamos para onde iremos, e que a única certeza que temos são das coisas que aqui plantamos, e das marcas que deixamos.

     

     

    ADEUS JACINTA!

    ARYSTARCH - O ARQUITETO DOS DEUSES- SUPERAÇÃO, ARTE... OU ILUMINAÇÃO?

    Raquel Bueno é uma jornalista brasileira que conheci em Campinas há muito tempo, mas ficamos 18 anos sem nos ver e nos falar, porque havíamos nos perdido. Agora, graças às redes sociais, nos reencontramos e tive a grata surpresa de conhecer o trabalho maravilhoso que ela realizou neste ínterim.

     

    Estava ela, há alguns anos atrás, em visita a uma igreja de Campinas, interior de São Paulo, quando deparou com raios de sol que iluminavam a nave central e causavam uma sensação de beleza, uma magia, um envolvimento com a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Pousou o olhar mais ao alto e constatou que a entrada dos raios vinham dos vitrais que circundavam a nave. De tão encantada com aquele momento foi pesquisar sobre o artista que fizera aquela obra capaz de despertar tantas sensações.

     

    ... E a magia maior começou naquele momento, quando Raquel soube que o artista que o fizera, Arystarch, um polonês fugido da Segunda Guerra Mundial, sem as duas mãos e um olho, perdidos na guerra, é quem fizera aquela obra de tamanha beleza. A partir de então, a pesquisa foi incansável e durou 7 anos, culminando num livro que reúne vários trabalhos do artista pelo Brasil.

     

    Contudo, este livro faz parte de um projeto maior, e ela já continua com as pesquisas e catalogação de fotos para o segundo livro.

     

    Sobre Arystarch e sua obra, poderão conferir no livro.

    Para adquiri-lo, entrem em contato conosco, aqui mesmo pelo Sapo, ou em nossa página do Facebook.

     

     

     ARYSTARCH - O ARQUITETO DOS DEUSES

     

     

    A AMPLIAÇÃO DO IMAGINAR DE "FAYGA OSTROWER"

    Estou lendo um livro interessantíssimo de Fayga Ostrower - "Criatividade e Processos de Criação", o qual recomendo a todos aqueles que desejam se aprofundar neste assunto. Fayga foi gravadora, pintora, desenhista, ilustradora, teórica da arte e professora. Polonesa de nascimento, veio para o Brasil na década de 30 e por aqui ficou.

     

    Uma pontuação muito interessante do livro, foi sobre a ampliação do imaginar e tem tudo a ver com este momento que vivemos, onde a sociedade exige especializações em todas as áreas do conhecimento e não poderia ser diferente diante de todos os desafios que este nosso viver nos impinge.

    Contudo, Fayga nos adverte sobre as necessidades de abertura para outros conhecimentos fora destas áreas específicas, a despeito de perdermos nosso poder criativo que não deve ser visto apenas no campo das artes, mas em todos os segmentos. O homem pode e deve ser criativo em seu dia-a-dia, em seu trabalho, em sua vida. Não fosse isso, não teríamos tido todos os avanços tecnológicos, sociais e culturais que hoje possuimos.

     

    Ela diz: " Um químico poderá ser criativo na química porque formula suas perguntas em termos de química e não porventura em termos de alquimia. Entretanto se este químico nada mais vê pela frente do que química, se todos os seus interesses e também conteúdos de vida se resumem quase que exclusivamente em problemas de "especialista", especializações dentro de especialidades, de fato, ele há de viver uma enorme redução enquanto potencialidades humanas. E, por maior que seja seu talento e sua eficiência, esse reducionismo poderá até esvaziar o sentido de criatividade que ele tenha dentro do trabalho profissional." ( Página 38)... Em outro trecho acrescenta: - "São nossos valores de vida que dão a medida para nosso pensar e fazer. Einstein, o grande gênio da física, também tocava violino e fazia filosofia".

     

    A quem deseja se aprofundar no assunto, sugiro a leitura do livro, que é da Editora Vozes.

     

    A quem deseja se aprofundar em Fayga, em sua obra como gravurista e artista plástica, e seus livros, o site é http://www.faygaostrower.org.br/

     

    Segue um vídeo, que é uma raridade, de Fayga falando sobre o gravurista Livio Abramo e sobre criatividade.

     

     
     

     

     

    Uma das gravuras de Fayga que mais aprecio

     

     

    Uma das Gravuras de Livio Abramo, da fase "Paraguay", que Fayga menciona no vídeo