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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns!

INTERCAMBIANDO

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  • FLUXO: A NEUROLOGIA DA EXCELÊNCIA

    Escrevi este post em 2012, mas estou republicando-o porque encontrei um vídeo de um TED de Mikail Csikszentmihalyi, citado no post, que achei bastante pertinente para complementar o assunto.

     

    No livro " A Inteligência Emocional" de Daniel Goleman pude esclarecer algo que já havia constatado em meus estudos de Educação Artística e que já havia publicado aqui em outro post intitulado "O outro Ser que Habita em nós", que fala sobre algo que nos toca quando estamos criando.

     

    À primeira vista parece ser um livro de auto ajuda, mas na verdade é bastante científico, esclarecedor, baseado em pesquisas próprias e de outros grandes nomes como Howard Gardner, Michail Csikszentmihalyi

     

    Neste livro, Goleman explica e nomeia esta manifestação como "Fluxo: A Neurologia da Excelência". E cita palavras de um compositor que descreve isso de forma bem próxima a que descrevi há um mês atrás no post:

     

    " Nós entramos em tal nivel de êxtase que parece que não existimos. Tive essa sensação várias vezes. Minha mão parece ser independente de mim, e nada tenho a ver com o que se passa. Simplesmente fico ali observando, em estado de respeito e encantamento. E a coisa flui por si mesma".

     

    Segundo Goleman, este Fluxo que toma conta de nós pode ser desenvolvido e aplicado, inclusive, na Educação.

    Não apenas isso, mas outras manifestações notadamente enriquecedoras e modificadoras para o Ser Humano como a Esperança e o Otimismo. Conforme alguns pesquisadores citados, ele nos diz que a "esperança faz mais que oferecer um pouco de conforto na aflição: desempenha um papel surpreendentemente poderoso na vida, oferecendo uma vantagem em domínios tão diversos como o desempenho acadêmico e em aguentar empregos onerosos". E, diferente de um livro de auto ajuda, ele cita várias experiências realizadas em cada uma destas áreas.

     

    Seria bem interessante aprofundar-se no assunto e aplicar seus métodos para tentar fazer a diferença neste mundo tão carente em construir seres humanos mais reflexivos, solidários, sensíveis e empáticos.

     

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    A ARTE ROMANA - PARTE 3

    A ESCULTURA NA ERA ROMANA 

    Embora os romanos tivessem copiado maciçamente a estatuária grega para atender à mania de arte helênica, desenvolveram gradualmente um estilo próprio. A escultura romana em geral é mais literal. Os romanos tinham em casa máscaras mortuárias, feitas em cera, dos ancestrais. Essas imagens realísticas eram moldes totalmente factuais das feições do falecido, e essa tradição influenciou os escultores romanos.

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     Máscara Mortuária Grega confeccionada no Período Romano

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    Másca Mortuária da Região de Fayum durante o Império Romano

    Ambas as máscaras foram retiradas do site da Agência de Notícias Brasil Árabe 

    Exceção a essa tradição era a produção em série de bustos, semelhantes a deuses, de imperadores, políticos e líderes militares, dispostos nos prédios públicos de toda a Europa, reafirmando uma presença política a milhares de quilômetros de Roma. É interessante observar que, no declínio de Roma, quando os assassinatos se tornaram o método preferido para a transferência de poder, os bustos reverteram para uma brutal honestidade. Uma estátua nada elogiosa de Caraculla revela um cruel ditador, e o escultura de Felipe, o Árabe, mostra um tirano desconfiado.

     

    Busto de Caraculla

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     Busto de Filipe o Árabe - Imperador Romano de 244 a 249 - Fonte Wikipédia

     

    Outra corrente importante da escultura romana foi o relevo narrativo. Painéis de figuras esculpidas representando feitos militares, decoravam arcos de triunfo, sob os quais desfilavam os exércitos vitoriosos conduzindo longas filas de prisioneiros acorrentados. A Coluna de Trajano (106 – 113 d. C.) é o mais ambicioso desses monumentos. Mostra um relevo envolvendo a coluna em mais de duzentos metros de espiral ininterrupto, comemorando o massacre que os romanos fizeram contra os dácios. Alguns consideram a construção da coluna um monumento em homenagem a um "genocídio", lamentável e repugnante motivação, mas não deixa de ser uma obra de arte. 

      

     Coluna de Trajano, em Roma

     

    Detalhe da Coluna de Trajano 150 cenas de massacre

     Os romanos eram grandes admiradores da arte grega, mas por temperamento, eram muito diferentes dos gregos. Por serem realistas e práticos, suas esculturas são uma representação fiel das pessoas e não a de um ideal de beleza humana, como fizeram os gregos. Retratavam os imperadores e os homens da sociedade.

    Mais realista que idealista, a estatuária romana teve seu maior êxito nos retratos.

    Com a invasão dos bárbaros as preocupações com as artes diminuíram e poucos monumentos foram realizados pelo Estado. Era o começo da decadência do Império Romano que, no séc. V - precisamente no ano de 476 - perde o domínio do seu vasto território do Ocidente para os invasores germânicos.

     

    Estátua de Augusto de Prima Porta com Eros a seus pés. 

    Augusto de Prima Porta com Eros a seus pés - Deta

    Detalhe da Armadura da Escultura de Augusto de Prima Porta

     

    Na Parte IV, falaremos sobre a Arquitetura! CONTINUA EM A ERA ROMANA PARTE IV

     

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    CINEMA E APRENDIZADO

     Ano passado fiz um trabalho de Educação Artística com grupos de adolescentes e adultos acima de 48 anos onde eu lhes falava sobre a História da Arte, aplicava exercícios práticos e depois contextualizava, pautada na Abordagem Triangular de Ana Mae Barbosa.

    A contextualização era feita com filmes sobre o período estudado.

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                                                              Banner de divulgação do Projeto

    Foi muito gratificante, e a partir dali comecei a elaborar uma lista de filmes que pudessem ser usados em sala de aula para explanações de temáticas diversas.

    A maioria deles tem no Netflix, que a maioria deve conhecer; é um serviço On Demand das TVs Smart, daquelas televisões que acessam Internet. E o melhor deste serviço é que não precisa baixar nada, não corre riscos desnecessários, é muito barato e não prejudica a Indústria Cinematográfica e Cultural, como os serviços piratas que tem na Internet.

    Segue uma pequena lista deles e algumas aplicações que identifiquei, mas é um assunto muito amplo e pode ser ainda melhorado, se alguém quiser contribuir é só deixar escrito nos comentários. Hoje postaremos sobre os mais relevantes para a área de Educação Artística, mas faremos uma sequência de posts, sendo que o próximo será para a área de História, depois filmes Poéticos, Psicológicos e sobre Racismo.

     

    FILMES PARA ENSINO DE  EDUCAÇÃO ARTÍSTICA, mas, cuidado, muitos deles tem conteúdo inadequado para menores de 14 anos. Talvez, alguns, seja melhor fazer uma edição prévia. A sugestão é que a professora assista antes e se prepare. Cada filme dá para abordar não apenas as obras dos retratados, mas, também, temas mais conceituais como decadência humana por uso de drogas e álcool, como no caso do filme "Modigliani". Dependência do outro, como no caso de "Frida" e "Camille Claudel". Assuntos que nós professores não podemos deixar passar em branco, uma vez que devemos ter como missão trabalhar o indivíduo como um todo. A maioria deles dá para fazer uma interdisciplinaridade com as aulas de História. Enfim, é uma riqueza só rsrsrsrs!

    MR. TURNER - Excelente, trata sobre o conhecido pintor Willian Turner, seus últimos 25 anos de vida, seus processos criativos excêntricos. Ideal para se falar do período pré impressionista, uma vez que Turner é considerado um de seus precursores. Mas, tem algumas cenas um tanto fortes, portanto, há de se pensar a quem passar. Aconselhável para turmas acima de 16 anos.

    A INVENÇÃO DE HUGO CABRET - Filme bem poético sobre a vida de um menino que vive na estação de Paris, tentando descobrir um mistério. Interessante para a área de Educação Artística, pois além dessa poética, o filme acaba revelando uma relação com a obra de George Melié, um dos pioneiros do cinema. Dá para polarizar o aprendizado em várias direções. - tem no Netflix.

    POUCAS CINZAS - Mostra as relações de amizade entre Salvador Dali, Frederico Garcia Lorca e Luis Bruñuel. Importante para conhecer aquele momento do início do século XX na Espanha, onde a iminência da guerra civil acabou levando Garcia Lorca ao fuzilamento. Pouco mostra sobre as obras destes três grandes artistas, mas poderá servir para uma contextualização.

    O SEGREDO DE BEETHOVEN – o filme cria a personagem Anna Holtz, que ajuda Beethoven a escrever algumas partituras, mas segundo estudos ela seria fictícia e nunca teria existido.

    PIAF – Sobre a vida de Edith Piaf. Tem no NETFLIX 

    AGONIA E EXTASE - sobre a vida de Michelangelo

    CLEÓPATRA - Ideal para retratar o período da arte romana e egípcia, pois retrata os dois impérios.

    CAMILLE CLAUDEL –  Na Paris de 1885, a jovem Escultora torna-se aprendiz e amante de Rodin, o que a torna mal vista pela sociedade e lhe causa danos irreparáveis em sua vida. - Tem no Netflix

    A MOÇA DO BRINCO DE PÉROLA - Na Holanda do século XVII uma jovem camponesa vai trabalhar na casa do grande pintor barroco Johannes Vermeer e acaba se tornando modelo do quadro mais famoso do artista. Tem no NETFLIX.

    BASQUIAT - conta a vida do jovem artista que vivia na mendicância pelas ruas de Nova York até ser descoberto por Andy Warhol -

    CARAVAGGIO - Biografia poética do célebre pintor renascentista, sua sexualidade e sua relação com o poder.O filme remete às cores e texturas de suas obras. Tem no Netmovies que é outro serviço On Demand para TVs Smart.

    OS AMORES DE PICASSO - Vivido por Antony Hopkins, retrata o romance do artista aos 60 anos, que no auge de sua carreira convida uma moça de 23 anos para morar com ele.

    FRIDA – Sobre a vida da mexicana Frida Kahlo. Mostra sua trajetória artística e sua vida atribulada junto do também artista plástico Diego Rivera. O grande papel de Salma Hayek - tem no Netflix.

    MOULIN ROUGE - A passagem de Toulose Lautrec na trama é meramente de coadjuvante, mas vale a pena assistir a versão com Nicole Kidman. Linda Fotografia. - Tem no Netflix.

    AS SOMBRAS DE GOYA- Mostra o momento histórico de Goya, com a Igreja Catolica e seus desmandos na vida daquelas sociedades e tb sobre a Revolução Francesa e sua influência até a Espanha, que é onde se desenrola a história.

    MODIGLIANI - Muito lindo! Andy Garcia personifica o doce e boêmio pintor italiano Amedeo Modigliani, quando este habitava numa espelunca em Paris. Seus casos, seus quadros, suas brigas com Picasso. Tudo retratado com muita poesia. Com muita singeleza e autenticidade. Dá vontade mesmo de subir nas mesas e declamar poemas quando termina. 

    KLIMT. Paris, 1900. Gustav Klimt é homenageado na Exposição Universal enquanto em Viena é condenado como provocador. Vive a vida como a pinta, os seus modelos são as suas musas. Klimt está à frente do seu tempo. Como tem cenas de sexo é melhor avaliar e editar antes de passar para os alunos.

    MINHA AMADA IMORTAL – Sobre a vida de Beethoven. 

    CARRINGTON -  Sobre a vida da Pintora Dora Carrington.

    A VIDA DE LEONARDO DA VINCI. É considerado o melhor e mais completo filme sobre esse grande mestre. Uma superprodução milionária da RAI filmada nas locações reais nas quais viveu o artista, e baseada numa meticulosa pesquisa histórica. Sugiro, inclusive, que a professora compre o DVD, pois são umas 5 horas de filme.

    O MESTRE DA VIDA.  John Talia Jr. é um talentoso e problemático estudante de artes. Ao conhecer Nicoli Seroff, um genial pintor, ele insiste para que o velho mestre o ensine a pintar. Mas Seroff não só desistiu da arte, mas também da vida e quer ficar em paz. – tem no Netmovies.

    MEIA NOITE EM PARIS – Tem Netflix -  Surreal, porém Ótimo. Dá, inclusive, para trabalhar essa ideia de surrealismo aplicada às diversas linguagens, embora não seja filme sobre o Surrealismo em si, a história é que é surreal.

    POLLOCK - sobre a vida do artista e seus processos criativos.

    SERAPHINE - fala sobre a trajetória da artista Seraphine Louis também conhecida como Seraphine de Semlis que ganhava a vida como faxineira no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial.

    SEDE DE VIVER - Mostra Van Gogh dividido entre sua genialidade e sua mente atormentada. 

     

    Bem, estes são alguns para contextualizar diversos períodos da História da Arte. Claro que os professores já os conhecem todos e estaria chovendo no molhado, mas, a inteção da lista é para aquelas pessoas que amam cinema e querem assistir aos filmes com olhares mais reflexivos e críticos.

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    Museu do Ipiranga

    O Museu Paulista ou Museu do Ipiranga está fechado para visitação desde julho de 2013 para restauração e será reaberto em 2018, por isso é importante manter viva a História deste Museu tão apreciado pelos paulistas.

     

     

    Introdução

    Visitação guiada ao Museu Paulista da USP. A história contada sob o ponto de vista do paulista.

     

     

    Conteúdo

    O Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, desde 1963 tem como mantenedor  a Universidade de São Paulo (USP), possui um acervo permanente tombado há mais de 10 anos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, e por essa razão a exposição de todos os objetos referentes ao período da História da Independência do Brasil não muda.

     

    O edifício foi construído entre 1885 a 1890, com o objetivo de ser um monumento à Independência. A planta original desenhada pelo arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, foi adaptada pela pressa e falta de recursos, estes vindos de empresários, políticos e do próprio povo. Para o projeto foi feito uma maquete em gesso, a qual levou quase o mesmo tempo que o próprio edifício para ficar pronta, esta maquete encontra-se em exposição no museu. Muitos estrangeiros vieram para trabalhar na construção do palácio, pois no Brasil daquela época não havia mão de obra especializada capaz de executar tantos detalhes e ornamentos. Nascia o primeiro prédio público de alvenaria de São Paulo e também a partir dele houve uma mudança arquitetônica na cidade. O prédio foi inaugurado no primeiro ano da Proclamação da República e embora seja um palácio nunca fora habitado, pois com a organização da república tornou-se inicialmente museu de história natural.

     

    Com a chegada de Afonso Taunay o museu passou a ter também caráter histórico, pinturas e esculturas foram produzidas para compor o acervo a fim de destacar a participação do povo paulista na história brasileira.

     

    Desde a entrada é possível perceber, pela quantidade de símbolos expostos, que a história é muito mais complexa do que aparenta, por isso a visitação guiada é imprescindível para que o visitante compreenda toda a simbologia e as mensagens propostas pela exposição. Para isso o Museu Paulista conta com um departamento de educação ou ação cultural no qual o educador do museu orienta os visitantes, esclarecendo e adaptando os códigos da exposição de acordo com o perfil do público.

    Faz parte do acervo tombado a pintura de D. João III, conhecido também como O Piedoso por sua devoção religiosa, foi rei de Portugal entre 1521 e 1557 época das grandes navegações portuguesas e o início da ocupação do litoral brasileiro dividido em capitanias hereditárias.

    D. João III

    D. João III

     

    A pintura de Martim Affonso de Souza, administrador do Brasil Colônia, capitão hereditário e fundador da Vila de São Vicente, bem como a de João Ramalho, explorador português que sofreu um naufrágio na costa brasileira e fora resgatado e acolhido por índios, casou-se com Bartira, filha do Cacique Tibiriçá, com quem teve nove filhos.

    Martim Afonso de SouzaJoão Ramalho e seu filho

    Martim Affonso de Souza                              João Ramalho e seu filho

    Cacique Tibiriçá

    Cacique Tibiriçá

     

    Entre as pinturas de João Ramalho e do Cacique Tibiriçá há uma criança fazendo uma menção aos mestiços filhos de portugueses e índios, os chamados mamelucos. Essa percepção só foi possível com a visitação guiada. Os quadros foram pintados por Benedito Calixto que idealizou a fisionomia de cada personagem, pois de outra forma não seria possível.

     

    O acervo conta também com duas esculturas gigantescas em mármore de carrara dos Bandeirantes mais conhecidos, Antônio Raposo Tavares e Fernão Dias Paes Leme. Nessas esculturas mais simbologia, pois elas mostram a imponência destes sertanistas de ‘grande estatura’, desbravadores de terras longínquas (Raposo Tavares), produtores e geradores de riqueza (Fernão Dias), heróis do Brasil. No entanto, essas expedições resultaram em consequências desastrosas, os povos que já viviam nas regiões desbravadas muitas vezes eram escravizados, privados de sua identidade cultural, e até dizimados pelos próprios colonos ou por doenças trazidas por eles. O papel desses ‘heróis’ vem sendo contestado com o passar dos anos, provando que a história depende de interpretações, de estudos e do que se quer passar de conhecimento para gerações futuras. Não pode ser interpretada como uma verdade absoluta mas sim como uma possibilidade provável.

    Nas escadarias do Museu Paulista existem outras esculturas de Bandeirantes de vários estados brasileiros e datas as quais esses estados foram se separando de São Paulo, bem como esferas com águas dos principais rios brasileiros fazendo uma referência a unificação do território.

     

    Há uma outra maquete em exposição que retrata a cidade em meados do século XIX, onde quase nada foi preservado apenas algumas igrejas como a de São Francisco, Santo Antônio, a igreja do Carmo e a casa de Domitila a Marquesa de Santos e amante de D. Pedro I.

    No salão nobre há o retrato mais conhecido entre os estudantes. O quadro pintado por Pedro Américo retrata o momento da Independência do Brasil às margens do rio Ipiranga. A tela está emoldurada em uma referência a época de ouro do café.

    Independência ou Morte!, também conhecido como O Grito do Ipiranga, 4,15×7,6m, 1888, Museu Paulista (foto disponível no Google)


    Como revela a imagem, o povo sempre às margens dos acontecimentos. A Casa do Grito (esta denominação deve-se ao quadro) ao fundo, hoje é o Museu do Tropeiro no mesmo complexo do Parque do Ipiranga. Há outras obras no mesmo salão que refletem diferentes visões sobre a Independência, entre outros objetos da época como armas, capacetes, moedas e até mechas de cabelos das Imperatrizes Da. Leopoldina, Da. Amélia, Da.Tereza Cristina e Princesa Isabel.

    Ainda no piso superior há a sala do Ciclo do Café, onde estão expostos objetos usados no cultivo e produção do café, além de anúncios, roupas, dinheiro, fotografias da época. A província de São Paulo enriqueceu na virada do século XIX e XX, desenvolvendo e expandindo ferrovias para o melhor escoamento da produção e comércio do café. Neste período a abolição deu lugar ao trabalho de muitos imigrantes.

    Há o mobiliário do século XVII ao XIX como piano, cadeiras, penteadeiras, espelhos, cristaleiras e uma saleta de visitas onde os objetos mais bonitos e caros ficavam expostos para mostrar o refinamento de seus proprietários.

    A ala Imagens Recriam a História, consiste em quadros que foram pintados ao longo da história desde 1500 por diversos artistas. Baseando-se em relatos e documentos da época, esses artistas recriavam momentos e pessoas importantes.

    No subsolo do museu, algumas exposições rotativas mostram outra parte do imenso acervo adquirido. É possível identificar algumas passagens ‘secretas’ e estreitas.

     Jardim

    Os jardins em estilo francês com uma grande fonte central deixa ainda mais imponente o palácio no alto da colina.

     

     

    Conclusão

    A História ao longo dos anos foi sendo constantemente reinterpretada, o que não invalida o que já sabemos, deixa claro apenas que a compreensão dos processos históricos depende muito da época que são estudados e até mesmo de quem os estudou.

    Não há uma verdade absoluta mas sim uma possibilidade provável. O Museu do Ipiranga reflete exatamente essa mudança de interpretação: será mesmo que os Bandeirantes foram heróis? São questões como essa que nos faz ir além e alimentam os estudos historiográficos.

    Sob esta perspectiva não devemos julgar o passado com o olhar de hoje, mas sim compreender as interpretações e a elas acrescentar informações de estudos pertinentes e embasados.

     

    F I M

     

     

     

     

    E-referências

    http://www.museudacidade.sp.gov.br/casadogrito.php

    www.mp.usp.br

    http://www.independenciaoumorte.com.br/acontece/item/114-hist%C3%B3ria-oficial-do-museu-paulista-da-usp.html

    http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaInicial.do;jsessionid=0D2F93A46A1BB10C24980C1FD461E593

    http://www.historiadobrasil.net/independencia/

     

    PORQUE A ARTE CONTEMPORÂNEA É TÃO RUIM?

    Acredito que eu não seja a única a não entender nada quando se depara com obras de péssima qualidade estética e conceitos duvidosos ganhando lugar de destaque em galerias de arte de gabarito e museus famosos. Estudo arte há alguns anos, e no final deste, concluo minha Licenciatura em Educação Artística, mas confesso, tenho minhas dificuldades com aquilo que fere meu senso estético.

    Em nossa última visita ao MASP nos deparamos na galeria das esculturas com uma escada amarrada a um bode. Minhas filhas e eu ficamos indignadas ao ver esta coisa grotesca em meio a tantas obras de artistas famosos como Degas, Rodin, Renoir.

    Hoje, uma delas me enviou este vídeo que "lavou minha Alma".

     

    TROCA DE FIGURINHAS/NOVA/VELHA FORMA DE SOCIALIZAR

    Estava ficando intrigada com o número excessivo de pessoas em torno das bancas de jornais até que minha filha me disse que virou uma febre a troca de figurinhas por conta da copa, então acabam se reunindo ali para as trocas.

    Até aí, nada de novo, não é de hoje que as crianças adoram colecionar e trocar figurinhas para seus albúns.

    O que está me impressionando é a socialização que está envolvendo todo o processo, tanto na vida real, quanto na virtual (sim, tem sites que se encarregam dessa facilitação), e vejo nisso algo muito positivo, já que nossas crianças têm tão poucas oportunidades prá isso.

    Pelo que minha filha tem me contado percebe-se que muitas pessoas deixaram os perfis de competitividade para agregar um comportamento mais generoso enviando figurinhas mesmo aos que não tem a troca adequada, mas para que o outro complete seu albúm... Não é o máximo?!!! Atitudes assim passam valores inestimáveis aos filhos que vão aprender a ser Humanos melhores e mais solidários. 

    Estamos todos curtindo a alegria de minha neta em fechar os envelopes, levar ao correio, esperar a chegada de seus envelopes com suas figurinhas. Um deles, além das figurinhas enviou fitinhas de Nossa Senhora Aparecida... Não é o máximo? Quem recebe tem vontade de retribuir e isso acaba virando um círculo virtuoso de generosidade.

     

     

     

    FELICIDADE NÃO TEM PREÇO!

     

     

    O MITO DE "ER"

    Os mitos sempre nos ajudam a entender as fragilidades humanas. Este é contado por Platão no seu livro "A República", Livro X, p. 614-620:

     

    "A verdade que o que te vou narrar não é um conto de Alcínoo, mas de um homem valente, Er, o Arménio. [...] 

    A virgem Láquesis, filha da Necessidade, declara:

     

    Almas efêmeras, vais começar outra vida de caráter transitório, entrarás em um novo corpo mortal humano.
    Não é um demônio que vos escolherá, mas vós que escolhereis o demônio. O primeiro a quem a sorte couber será o primeiro a escolher uma vida a que ficará ligado pela Necessidade. Mas a virtude não tem dono, cada um poderá tê-la em maior ou menor grau, conforme a honrar ou desonrar. A responsabilidade é de quem escolhe. A Divindade é isenta de culpa.

     

    Ditas estas palavras, atirou com os lotes para todos e cada um escolheu o que caiu perto de si, exceto Er, a quem isso não foi permitido. A variedade era infinita, ao apanhá-lo, tornaram-se evidentes para cada um a ordem que lhe cabia para escolher. Seguidamente, dispôs no solo, diante deles, os modelos de vida, em número muito mais elevado do que o dos presentes. Havia de todas as espécies, vida de todos os animais, e bem assim de todos os seres humanos. Entre elas, havia tiranias, umas duradouras, outras derrubadas a meio, e que acabavam na pobreza, na fuga, na mendicância. Havia também vidas de homens ilustres, umas pela forma, beleza, força e vigor, outras pela raça e virtudes dos antepassados; depois havia também as vidas obscuras, e do mesmo modo sucedia com as mulheres.

     

    Mas não continham as disposições do caráter, por ser forçoso que este mude, conforme a vida que escolhem. Tudo o mais estava misturado entre
    si e com a riqueza e a indigência, a doença e a saúde, e bem assim o meio termo entre estes predicados. É aí que está, segundo parece, meu caro Glaucón, o momento crítico para o homem, e por esse motivo se deve ter o máximo cuidado, e que cada um de nós ponha por cima de tudo buscar e adquirir a ciência de distinguir uma vida honesta da que é má e de escolher sempre em toda a parte tanto quanto possível a melhor.

     

     

    Calculando que efeito tem, em relação com virtude em uma vida, para prever o mal que produz a beleza, por exemplo, unida à riqueza ou a pobreza, as consequências que tem o nascimento ilustre ou escuro, os cargos públicos ou a condição de simples particular, ou a debilidade física, a facilidade ou dificuldade […].


    Ora, então, anunciou o mensageiro do além, o profeta falou deste modo: - Mesmo para quem vier em último lugar, se escolher com inteligência e viver honestamente, espera-o uma vida apetecível, e não uma desgraçada. Nem o primeiro deixe de escolher com prudência, nem o último com coragem.


    Ditas estas palavras, contava Er, aquele a quem coube a primeira sorte logo se precipitou para escolher a tirania maior, e, por insensatez e cobiça, arrebatou--a, sem ter examinado capazmente todas as consequências, antes lhe passou despercebido que o destino que lá estava fixado comportava comer os próprios filhos e outras desgraças. Mas, depois que a observou com vagar, batia no peito e lamentava a sua escolha, sem se ater às prescrições do profeta. Efetivamente, não era a si mesmo que se acusava da desgraça, mas à sorte e às divindades, e a tudo, mais do que a si mesmo. Ora, esse era um dos que vinham, do céu, e vivera, na encarnação anterior, num Estado bem governado; a sua participação
    na virtude devia-se ao hábito, não à filosofia. Pode-se dizer que não eram menos numerosos os que vindos do céu, se deixavam apanhar em tais situações, devido à sua falta de treino nos sofrimentos. Ao passo que os que vinham da terra, na sua maioria, como tinham sofrido pessoalmente e visto os outros sofrerem, não faziam a sua escolha às pressas. Por tal motivo, e também devido à sorte da escolha, o que mais acontecia às almas era fazerem a permuta entre males e bens. […]


    Era digno de se ver esse espetáculo, contava ele, como cada uma das almas escolhia a sua vida. Era, realmente, merecedor de piedade, mas também ridículo e surpreendente. Com efeito, a maior parte fazia a sua opção de acordo com os hábitos da vida anterior. Dizia ele que vira a alma que outrora pertencera a Orfeu escolher uma vida de cisne, por ódio à raça das mulheres, porque, devido a ter sofrido a morte às mãos delas, não queria nascer de uma mulher; vira a de Tamiras escolher uma vida de rouxinol; vira também um cisne preferir uma vida humana, e outros animais músicos procederem do mesmo modo [...]

     

    Assim que todas as almas escolheram as suas vidas, avançaram, pela ordem da sorte que lhes coubera, para junto de Láquesis. Esta mandava a cada uma o demônio que preferira para guardar a sua existência e fazer cumprir o destino que escolhera".

     

    Segundo ETCHEBEHERE, 2008, p. 138-142, "A eleição do tipo de vida é, como diz Platão, o momento crítico para o homem, tanto que nesse momento coloca em jogo seu destino. "Não será um demônio quem escolhe, e sim você quem escolherá o demônio". Isto é, não é uma força

    cega quem nos dirige e sim nós próprios, por intermédio de nossas ações, que vamos configurando nosso caráter, moldando nosso demônio.

     

    BIBLIOGRAFIA: 

    DANIEL, E.; SCOPINHO, S. C. D. Antropologia, Ética e Cultura. Batatais: Claretiano, 2013. Unidade 5

     

    BRASILEIRAS LANÇAM LIVRO DE HISTÓRIA DA AMÉRICA LATINA

    A Editora Contexto acaba de lançar História da América Latina, de Maria Ligia Prado e Gabriela Pellegrino – ambas professoras da Universidade de São Paulo.

     

    Nas palavras das autoras: "Os brasileiros, de modo geral, conhecem muito pouco sobre a rica e complexa História da América Latina. E isso acontece ainda que o país faça parte dessa região e que nossa história corra paralela à dos nossos vizinhos – desde a colonização ibérica, passando pela concomitância das independências políticas e da formação dos Estados nacionais, chegando aos temas do século XX (como a simultaneidade das ditaduras civis-militares). 
    Daí a importância desta obra, que começa seu percurso com a crise dos domínios coloniais na América, passa pela construção de identidades e investiga educação, cidadania, cultura e política".


    Escrito com linguagem fluente por duas professoras da Universidade de São Paulo com relevantes estudos sobre a América Latina, o livro oferece aos leitores uma proximidade inédita com nossos vizinhos. Isso nos ajuda a pensar também sobre as questões do presente e entender as viscerais ligações históricas entre o Brasil e os demais países latino-americanos.

     

     

     

    Assista ao vídeo das autoras falando sobre o livro

     

    DE ONDE VEM A INSPIRAÇÃO?

     

     

     

     
    Este é um tema que está sempre em pauta para aqueles que, como eu, nasceram sem nenhum talento para as artes, mas que buscam por ela.

    Aqui mesmo no blog já fiz a abordagem do assunto baseado no livro de Daniel Goleman e de Fayga Ostrower.

    Einstein muito bem descreveu a situação quando disse que o sucesso e a genialidade são percentualmente divididos em 10% de inspiração e 90% de transpiração, ou seja: "

     

    "Grandes artistas e cientistas "recebem" suas mensagens porque estão profundamente conectados com o projeto em questão. Esses avisos podem vir da letra de uma música, da conversa com um amigo, de um sonho, de imagens, enfim, de muitas sensações, sentimentos, pensamentos e intuições que nós temos".  ARAÚJO, B. L. D.; YORDAKI, W. História da Arte: do Rococó ao Realismo. Batatais: Claretiano, 2013. Unidade 3.

     

    Muito provavelmente Alzira Espíndola e Itamar Assumpção tenham se inspirado naquelas palavras de Einstein quando escreveram a música "TRANSPIRAÇÃO" que  fala sobre o assunto poéticamente. O som não está perfeito porque é uma gravação ao vivo no Sesc de Copacabana, Brasil, onde cantam Ney Matogrosso e Alzira Espíndola.

     

     

     
    a letra da música
     
    A inspiração vem de onde?
    Pergunta para mim alguém
    Repondo talvez de longe
    De avião barco ou bonde?
    Vem com meu bem de Belém
    Vem com você neste trem
    Das entrelinhas de um livro
    Da morte de um ser vivo
    Das veias de um coração
    Vem de um gesto preciso
    Vem de um amor vem do riso
    Vem por alguma razão
    Vem pelo sim pelo não
    Vem pelo mar gaivota
    Vem pelos bichos da mata
    Vem lá do céu vem do chão
    Vem da medida exata
    Vêm dentro da tua carta
    Vem do Azerbadjão
    Vem pela transpiração
    A inspiração vem de onde?
    De onde?
    A inspiração vem de onde?
    De onde?
    Vem da tristeza, alegria.
    Do canto da cotovia
    Vem do luar do sertão
    Vem de uma noite fria
    Vem olha só quem diria
    Vem pelo raio e trovão
    No beijo desta paixão
    A inspiração vem de onde?
    De onde?
    A inspiração vem de onde?
    De onde?

    Link: http://www.vagalume.com.br/ney-matogrosso/transpiracao.html#ixzz3TSVIuvfD
     
     
     
     
     
     

     

     

     

    ARTES E UTENSÍLIOS - CRIANDO E RECRIANDO!

    Quem estuda ou já estudou a história da arte conhece perfeitamente sua importância histórica, cultural, sociológica, e antropológica.

    Lendo um livro que gosto muito da Fayga Ostrower, Criatividade e Processos de Criação, em um trecho ela diz:

     

    “ Quando vemos uma jarra de argila produzida há mais de 5000 anos por algum artesão anônimo, algum homem cujas contingências de vida desconhecemos e cujas valorizações dificilmente podemos imaginar, percebemos o quanto esse homem, com um propósito bem definido de atender certa finalidade prática, talvez a de guardar água ou óleo, em moldando a terra, moldou a si próprio. Seguindo a matéria e sondando-a quanto à “essência de ser”, o homem impregnou-a com a presença de sua vida, com a carga de suas emoções e de seus conhecimentos. Dando forma à argila, ele deu forma a  fluidez fugidia de seu próprio existir, captou-o e configurou-o. Estruturando a matéria, também dentro de si ele se estruturou. Criando ele se recriou”. ( pag. 51).

     

    Vendo qualquer fragmento arqueológico, fica-se a pensar nestas palavras de Fayga, do quanto o homem se configurou e se estruturou ao criar estes objetos, e o quanto podemos conhecer do passado de nossa espécie através deles.

     

     

     

     Imagem do site

     

     http://www.camertola.pt/info/mértola-vila-museu