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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns!

INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns!

  • MAIS UM POUCO SOBRE CRIATIVIDADE

    Em nossa sociedade temos o hábito de pensar que o criativo é aquele que se destacou exponencialmente em qualquer atividade: os gênios, os grandes artistas, mas nos esquecemos de pensar naqueles que, no seu dia-a-dia, conseguem superar pequenos obstáculos e "melhoram o mundo a seu redor".

    Aliás, esta observação entre aspas, são palavras de Fayga Ostrower, artista plástica, professora, que já mencionamos várias vezes aqui em nosso blog. Sempre gosto de citar trechos seus, pois refletem pensamentos sobre processos criativos e suas ligações com as pessoas comuns e sua humanidade.

    Na página 112 do seu livro "Criatividade e Processos de Criação" ela diz:

    ..."Acima de quaisquer outras considerações, o que importa é o processo criador visto como um processo de crescimento contínuo no homem, e não unicamente como fenômeno que caracteriza os vultos extraordinários da humanidade. Procuramos entender as potencialidades de um modo mais amplo e mais profundo, no sentido global. Poderia, no caso, tratar-se de um grande artista ou cientista, mas não seria apenas a sua produtividade profissional que consideraríamos, seria, antes, o seu potencial criador como dimensão humana a enriquecer a tudo e a todos aos seu redor. O poder criador do homem é a sua faculdade ordenadora e configuradora, a capacidade de abordar em cada momento vivido a unicidade da experiência e de interligá-la a outros momentos, transcendendo o momento particular e ampliando o ato da experiência para um ato da compreensão. Nos significados que o homem encontra - criando e  sempre formando - estrutura-se a sua consciência diante do viver"... 

    ..." Como ser coerente, ele está mais aberto ao novo porque mais seguro dentro de si. Sua flexibilidade de questionamento, ou melhor, a ausência de rigidez defensiva diante ao mundo, permite-lhe configurar espontâneamente tudo que o toca".

    fayga+ostrower.jpg

     Fayga em seu ateliê.

     

    FLUXO: A NEUROLOGIA DA EXCELÊNCIA

    Escrevi este post em 2012, mas estou republicando-o porque encontrei um vídeo de um TED de Mikail Csikszentmihalyi, citado no post, que achei bastante pertinente para complementar o assunto.

     

    No livro " A Inteligência Emocional" de Daniel Goleman pude esclarecer algo que já havia constatado em meus estudos de Educação Artística e que já havia publicado aqui em outro post intitulado "O outro Ser que Habita em nós", que fala sobre algo que nos toca quando estamos criando.

     

    À primeira vista parece ser um livro de auto ajuda, mas na verdade é bastante científico, esclarecedor, baseado em pesquisas próprias e de outros grandes nomes como Howard Gardner, Michail Csikszentmihalyi

     

    Neste livro, Goleman explica e nomeia esta manifestação como "Fluxo: A Neurologia da Excelência". E cita palavras de um compositor que descreve isso de forma bem próxima a que descrevi há um mês atrás no post:

     

    " Nós entramos em tal nivel de êxtase que parece que não existimos. Tive essa sensação várias vezes. Minha mão parece ser independente de mim, e nada tenho a ver com o que se passa. Simplesmente fico ali observando, em estado de respeito e encantamento. E a coisa flui por si mesma".

     

    Segundo Goleman, este Fluxo que toma conta de nós pode ser desenvolvido e aplicado, inclusive, na Educação.

    Não apenas isso, mas outras manifestações notadamente enriquecedoras e modificadoras para o Ser Humano como a Esperança e o Otimismo. Conforme alguns pesquisadores citados, ele nos diz que a "esperança faz mais que oferecer um pouco de conforto na aflição: desempenha um papel surpreendentemente poderoso na vida, oferecendo uma vantagem em domínios tão diversos como o desempenho acadêmico e em aguentar empregos onerosos". E, diferente de um livro de auto ajuda, ele cita várias experiências realizadas em cada uma destas áreas.

     

    Seria bem interessante aprofundar-se no assunto e aplicar seus métodos para tentar fazer a diferença neste mundo tão carente em construir seres humanos mais reflexivos, solidários, sensíveis e empáticos.

     

    einstein.png

     

     

     

     

     

     

    RUBEM ALVES - SABEDORIA E SENSIBILIDADE

     

    Nos deixa mais pobres, hoje, Rubem Alves,  psicanalista, educador, teólogo e escritor, que parte deixando um legado de mais de 160 obras (Publicações Aqui) sobre os mais variados temas: Filosofia da Religião, Teologia, Filosofia da Ciência e da Educação, Meditações e Crônicas, Literatura Infanto Juvenil.
    Segue um texto seu muito interessante que fala sobre Relacionamentos.

     

    E SE COLOCAR UMA MÚSICA?

    Neste mundo que vivemos, sem tempo para reflexões e até mesmo para viver, encontrar jovens reflexivos e poéticos é tudo de bom!

    É o caso de Jorge Luis Mendonça Martinez lá da cidade de Santos/SP/Brasil. Adorei este poema que mostra toda sua maturidade, mesmo em alguém tão jovem! Se colocar uma música aí, hem?!!!! Vai prás paradas, não vai Carlinhos Brown?!!!!!


                                                  EXTRAVIOS GUARDADOS


    Mamadeira, pente e chupeta;

    mordedor, pomada, berço,

    e carrinho; móbile, lenço,

    gaveta; andador, alfinete e


    talquinho; tampa de tomada,

    banheira e camiseta; brinquedos,

    fadas, fraldas, dentes

    de leite e linho.


    Nada menos

    no enredo. As coisas

    que me roubaram,

    me iludiram desde cedo.


    Minha bola de capotão,

    meu bodoque, minha bike;

    meu jogo de botão,

    meu skate, meu atari;


    onde estão?


    Nada mais

    percebo. Desses objetos

    que me levaram, só

    me deixaram mancebo.


    Tênis bamba,

    relógio e corrente;

    perfume, cigarro e estojo;

    muamba, isqueiro, pingente.


    Tudo se desfez em segredo,

    tantos materiais me dominaram,

    e jamais perguntaram

    se por acaso os concedo.


    Dentadura, peruca e viagra;

    muletas, dominó e palitinho;

    damas, pijamas, safenas;

    próteses e este pergaminho.


    Acabarão, talvez, em algum sebo?

    Faltam-me as peças que afanaram,

    mas na lembrança

    ainda as concebo.


    Por Jorge Luiz Mendonça Martinez em http://textosinfimos.blogspot.com.br/2013/12/j.html




    Foto "afanada na mão grande" do blog Every Art  http://everyarte.blogspot.com.br/2013_04_01_archive.html

    Obrigada a Jacqueline Moraes por ela

    O CHEIRO DA FELICIDADE!

    A sua felicidade tem cheiro?

    A minha e de minha família tem!...

    A minha tem cheiro de cebola!...

    É só descascar uma  que já vem à mente aqueles momentos inesquecíveis quando papai cozinhava prá nós...

    ...E a felicidade vem junto com o cheiro!...

    Para uma das filhas a felicidade tem cheiro de canela!

    O cheiro do mar também me faz feliz!

    Perguntamos a minha netinha qual era o cheiro da felicidade prá ela

    E ela respondeu sem hesitar:

    - O perfume da minha mãe!

     

     

    E a sua que cheiro tem?  

     

     

     

     

    REFLEXÕES SOBRE A MORTE BY SÓCRATES!

    Com serenidade e tom altaneiro, já condenado à morte bebendo cicuta, Sócrates proferiu seu último discurso aos que haviam acabado de condená-lo:

     

    - "Não foi por falta de discursos que fui condenado, mas por falta de audácia e porque não quis que ouvísseis o que para vós teria sido mais agradável: Sócrates se lamentando, gemendo, fazendo e dizendo uma porção de coisas que considero indignas de mim, coisas que estais habituados escutar de outros acusados".

     

    Sustenta-o uma certeza: Mais difícil que evitar a morte é " evitar o mal, porque ele corre mais depressa que a morte". Segundo seu pensamento, com relação a esta, só pode ser duas coisas:

     

    " Ou aquele que morre é reduzido a nada e não tem mais qualquer consciência, ou então, conforme ao que se diz, a morte é uma mudança, uma transmigração da alma, do lugar onde nos encontramos para outro lugar. Se a morte é a extinção de todo sentimento e assemelha-se a um desses sonos nos quais nada se vê, mesmo em sonho, então morrer é um ganho maravilhoso. (...) Por outro lado, se a morte é como uma passagem daqui para outro lugar, e se é verdade como se diz, que todos os mortos aí se reúnem, pode-se, senhores juízes, imaginar maior bem?

    Mas, eis a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém o sabe, exceto Deus."

     

    O que mais impressiona em todo desfecho da vida de Sócrates foi a sua dignidade em não transgredir seus valores morais e de justiça.  Mesmo tendo sido injustiçado com uma condenação que não tinha procedência, Sócrates recusou-se a fugir da prisão como queriam seus discípulos, pois isso seria ir contra as leis da época.

    Porque não traíra sua consciência, preferira a morte a declarar-se culpado. Suas últimas palavras teriam sido um testemunho dessa dupla fidelidade: A SI MESMO E A SEUS COMPROMISSOS ASSUMIDOS.

     

    Consulta  à Publicação de José Américo Mota Pessanha da Coleção "Pensadores".

     

     

     

    Quadro pintado por Jackes-Louis David, em 1787, representando a morte de Sócrates tomando cicuta.

    AMORES SEM FUTURO

    Quem já não os teve?... Ou tem?

     

    Aí, um dia, pensando no futuro, o mandamos partir!

     

    Mas, basta um olhar, um telefonema, para que esqueçamos

    nossa auto estima despedaçada, nosso racional tão racionalizado!

     

    Basta um pequeno passo para voltar aquela vontade de se arrumar,

    de arrumar a casa, de comprar roupa nova,

     

    ... para apenas um momento de amor!

     

    Julgar?... Quem poderá?

     

    ...Que atire a primeira pedra quem puder!

     

     

    Nossos agradecimentos a Maria Luiza Silveira Telles pela Foto 

    O OUTRO SER QUE HABITA EM NÓS!

    Religiões, dogmas e filosofias à parte, estou cada dia mais convencida de que existe um outro Ser que habita em nós.

     

    E é muito mais inteligente e sensível, mas também mais irracional, à medida que não temos domínio nenhum sobre ele e quando vai se manifestar.

     

    E, percebo que este Ser está muito ligado aos processos criativos, ao encadeamento de pensamentos, processos gestuais e intuição.

     

    Tenho, nos últimos meses,  me deparado com este Ser em algumas ocasiões, culminando hoje às 4:30 hs da manhã, quando fui acordada com uma palavra: " SEMÂNTICA".

    Se alguém me perguntasse o que esta palavra quer dizer, durante o dia, eu não saberia descrevê-la de imediato. Talvez a tivesse descrito de forma errada, pois meu racional pouco a usa e pouco a conhece.

     

    Como foi impossível voltar a dormir, pela insistência com que ela me vinha à mente, levantei-me e fui consultar o bom e querido dicionário  "Aurélio", que me informou: Semântica:: "o estudo das mudanças ou translações sofridas, no tempo e no espaço, pela significação das palavras”.

    Pronto, era a resposta que eu precisava para concluir um trabalho de língua portuguesa que vinha me incomodando há dias, por uma série de entraves ocorridos durante este exercício.

    Escrevi o texto, voltei a me deitar e a refletir sobre essa "manifestação", que não tenho outra palavra para rotular.

     

    E, de outras manifestações que venho observando quando de exercícios de pintura e escultura, às quais também não tenho habilidade técnica e racional, mas que, em diversos momentos já observei minhas mãos realizando gestos tão intuitivos como se outra pessoa as estivesse guiando.

     

    Sinto de grande importância ficar atento a estes pequenos sinais, pois se bem direcionados, podem nos levar a um melhor entendimento de nós mesmos e de como funcionam nossos processos cognitivos e emocionais.

     

    É uma sensação como poucas e que merece um estudo aprofundado para entendê-la!

     

     

    ...E A MORTE CONTOU UMA HISTÓRIA!

    Relendo este post, consegui me emocionar, novamente, com este trecho do Livro " A menina que Roubava livros", então resolvi reeditá-lo, pois há alguns dias atrás fiz um desenho sobre uma de suas cenas e queria compartilhar. Não é grande coisa em termos artísticos,  é mais uma colcha de retalhos, que uma arte: O cenário me apropriei de uma gravura de Dürer. O sanfoneiro, de uma obra de André Lhote. E a menina de uma foto na net....Bela artista que sou rsrsrs. Mas, é uma vitória tê-lo feito, considerando-se as minhas dificuldades com o desenho.

     

     

    "Todos que leram "A menina que roubava livros", de Markus Zusak, sabe que, quem conta a história é a Morte!

     

    Como é um tema que me fascina, por tudo que ele envolve, escolhi um pequeno trecho que me emocionou muito, pois é o momento crucial em que ela, a Morte,  vem buscar Hans Hubermann, um alemão de coração bondoso, que escondia um judeu em seu porão, na época da 2ª grande guerra.

     

    Talvez, este trecho tenha me marcado mais que os outros, pois parecia um momento já vivido, quando Ela veio buscar meu querido pai, e, eu também vi a prata de seus olhos, me dirigindo um último olhar!

     

    "Por último, os Hubermann.

    Hans.

    O papai.

    Era alto na cama, e vi a prata por entre suas pálpebras. Sua alma sentou-se. Veio a meu encontro. As almas desse tipo sempre o fazem - as melhores. As que se levantam e dizem:" Sei quem você é e estou pronta; Não que eu queira ir, é claro, mas irei." Essas almas são sempre leves, porque um número maior delas foi dispensado. Um número maior delas já encontrou o caminho para outros lugares. Essa foi despachada pelo sopro de um acordeão, pelo estranho sabor do champanhe no verão e pela arte de cumprir promessas. Ele deitou em meu braço e descansou. Houve um pulmão comichando por um último cigarro, e uma imensa atração magnética pelo porão, pela menina que era sua filha e estava escrevendo um livro lá embaixo, um livro que um dia ele esperava ler.

    Liesel.

    Foi o que sua alma sussurrou quando o carreguei. Mas não havia Liesel naquela casa. Não para mim, pelo menos."

     

     

     

     

    A SOLIDÃO E PLENITUDE DE CLARICE LISPECTOR

    Já falamos aqui de solidãoRecomeços, Liberdade, Felicidade, mas ninguém nunca falou de tudo isso, em tão poucas palavras, e com tanta maestria, como Clarice Lispector:

     

    " Que minha solidão me sirva de companhia

    Que eu tenha a coragem de me enfrentar

    Que eu saiba ficar com o nada...

    E, mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo"

     

    Penso que Clarice nos deu a receita da Felicidade!

     

     

    Solidão e Plenitude em algum lugar gelado do Canadá