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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns...

21.01.21

ARTE MODERNA: DO ILUMINISMO AOS MOVIMENTOS CONTEMPORÂNEOS - RESUMO - Parte 3


Bete do Intercambiando

Preparamos este resumo do Livro de Giulio Argan - Companhia das Letras - 2010, por tratar-se de matéria recorrente aos concursos dos professores de Arte. Aqui, você encontra a parte 1. E aqui, você encontra a parte 2.

URBANISMO

Com o início do sec. XX o autor coloca o "Urbanismo", disciplina que estuda a cidade e seu desenvolvimento, como fator preponderante nas mudanças sociais e políticas, que, aliás, já vinham ocorrendo desde meados do sec. XIX.

 "Ela nasceu da necessidade de enfrentar, metodicamente, os graves problemas determinados pela modificação do fenômeno urbano, devido à Revolução Industrial, e pela consequente transformação da estrutura social, da economia e do modo de vida" (pag. 185)

Embora os interesses dos urbanistas que, ideologicamente tinham uma tendência reformadora, não confluiam aos interesses políticos que eram conservadores e elitistas, muita coisa foi feita, principalmente em Paris, como é o caso do plano de reforma do barão Haussmann, administrador de Napoleão III, que construiu um cinturão viário que melhorou o fluxo do trânsito, embora às custas da demolição de vários bairros populares. Essa medida facilitaria, também, às tropas de repressão aos movimentos operários. Aos proprietários de imóveis facilitaria a especulação dos terrenos. Portanto, uma medida que favorecia muito mais as elites que as classes operárias.

Pelos projetos urbanísticos propostos por alguns engenheiros e arquitetos da época, observa-se o florescer de uma ideologia socialista, como nos projetos do inglês Owen e do francês Fourier, que propunham a construção de unidades residenciais para habitação operária, com gestão cooperativa.

"O contraste é então nítido: por parte do poder desejava-se que a cidade, com seus "monumentos" modernos (sempre de péssima arquitetura) e suas perspectivas espetaculares, fossem a imagem da autoridade do Estado. Por parte dos urbanistas, pretendia-se transformar a cidade nova (respeitando na cidade antiga o documento histórico), no ambiente vital da sociedade, uma sociedade integral e orgânica, onde a classe operária fosse considerada não mais como instrumento mecânico da produção e sim como parte da comunidade". (pag. 186).

O autor cita a Holanda como país com o urbanismo mais avançado e democrático do mundo, graças à obra do grande arquiteto Hendrick Petrus Berlage e seus sucessores, e, como tendo sido o primeiro país onde o problema da casa na sociedade industrial foi colocado no plano político, com a lei Woninguet, aprovada pelo parlamento em 1901 e que a manteve até a data da publicação do livro (1992 - vale pesquisar se ainda continua a mesma lei).

O "Art Nouveau"

O autor cita o art nouveau como uma expressão típica do espírito modernista.

"Do ponto de vista sociológico era um fenômeno novo, imponente, complexo, que deveria satisfazer o que se acreditava ser a "necessidade de arte da comunidade inteira"... Pelo modo como se propagou foi uma verdadeira MODA, no sentido e com toda a importância que a moda assume numa sociedade industrial, inclusive em termos econômicos, como fator de obsolescência e substituição dos produtos" (pag. 199)

Atribui a ela algumas características constantes:

1. A temática naturalista (flores e animais)

2. A utilização de motivos icônicos e estilísticos e até tipológicos, derivados da arte japonesa.

3. A morfologia: arabescos lineares e cromáticos> preferência pelos ritmos baseados nas curvas e suas variantes (espirais, volutas, etc..) e na cor, pelos tons frios, pálidos, transparentes, assonantes, formados por zonas planas ou eivadas, irisadas, esfumadas.

4. A recusa da proporção, do equilíbrio simétrico, e a busca por ritmos musicais, com acentuados desenvolvimentos na altura ou largura e andamentos realmente ondulados e sinuosos.

5.O propósito evidente e constante de comunicar por empatia um sentido de agilidade, elasticidade, levez, juventude e otimismo.

A difusãodos traços estilísticos essenciais ao art noveau se dá por meio de revistas de arte e moda, pelo comércio e seu aparato publicitário, das exposições mundiais e espetáculos. (pag. 202).

O homem começa a questionar a "funcionalidade e utilidade da arte" e encontra no art noveau a união do útil e do belo. Este estilo expandiu suas raízes na arquitetura:

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Arquitetura Art Nouveau da cidade de Riga - Letônia - direito da imagem depositphotos

Na decoração, como móveis, vasos, escadas, ferragens, vidraçarias 

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Foto do restaurant de l’hôtel Langham por Yvette Gauthier em flickr

E propiciava unir também a tecnologia e o trabalho do artista, pois a indústria nem sempre estava preparada para tingir aquele grau de espeificidade e necessitava do artista e seu "genio criativo". Mas, nem por isso tornou-se uma arte popular, ao contrário, uma arte de elite, sendo ofertado ao povo seus subprodutos.

Argan atribui o paulatino desaparecimento do art nouveau à "agudização dos conflitos sociais que levam à 1ª Guerra Mundial, desmentindo com os fatos o equívoco utopismo social que lhe servia de base" (pag. 204).

Aqui você encontra a parte 4

 

Bibliografia:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

 

 

 

 

21.01.21

Não é uma casinha na Marambaia

Mas poderia ser


gicapensando

 

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O que é o ser humano se não um ser incrível?! Anda muito difícil manter a esperança depois de um ano como 2020 mas eu me forço todos os dias a ter um pouco mais de fé na humanidade (não menos) e é aí que um mundo novo se abre despretensiosamente. Está tudo aqui ao nosso redor, a gente só precisa enxergar com mais cuidado.

Hoje avistei o toco de uma árvore. E você vai me perguntar - qual é a graça num toco? 

Em seus tempos áureos devia ter sido uma árvore muito frondosa, mesmo agora que virou apenas um toco ainda tem seu charme porque o humano que ali mora tem o espírito inquieto, criativo e transformador. Parei o carro, me aproximei e fui pega de surpresa pelo dono do jardim. O sangue esvaiu-se, afinal de contas ser pego desprevenido dentro de uma propriedade particular num país que não é o seu pode implicar em muitos problemas.

Pedi mil desculpas e disse que só queria tirar uma foto. Então o homem parou ao meu lado e ficamos os dois contemplando o toco. O silêncio foi interrompido e ele disse que sentiu muito tê-la cortado mas infelizmente a árvore ficara doente e ameaçava cair em cima da casa. Não foi uma decisão muito fácil. Naquele momento eu consegui materializar a tristeza daquela decisão e aquele toco era como uma lápide no jardim.

O homem que já não vivia um momento muito bom e sem saber o que fazer com o toco, abandonou por um tempo até o cuidado com o jardim e suas plantinhas foram ficando feias e tristes. Depois de um tempo ele percebeu que a vida é o que a gente faz dela e ele não é triste, aquele toco não era o fim ou pelo menos não precisava ser. Foi então que um toco se transformou em uma linda casinha encantada. Ouso dizer que os elfos que lá moram tomam chocolate quente contemplando o rio Saint Clair que fica logo em frente. Vamos cruzar os dedos e acreditar nessa magia!


Não é uma casinha na Marambaia, mas poderia ser.

 

19.01.21

Ser Chique! Por Gloria Kalil


Bete do Intercambiando

Gloria Kalil é uma brasileira, consultora de moda, jornalista, escritora, formada em Ciências Socias e seu forte é dar dicas de elegância e comportamento. Como esta que transcrevemos aqui:

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto... E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro italiano. O que faz uma pessoa chique, não é o que ela tem, mas a forma como ela se comporta perante a vida... Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar a atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes, e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras... Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio... Chique é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta. É deixar de se levar pela mania nacional de jogar lixo na rua, Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro de seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar-se do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de vestir. Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É "desligar o radar", o telefone, quando estiver sentado à mesa do restaurante, prestar veredadeira atenção a sua companhia. Chique mesmo é honrar sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona, e honesto em seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Chique do chique é não se iludir com "trocentas" plásticas do físico...quando se pretende corrigir o caráter, não há plástica que salve a grosseria, incompetência, mentira, fraude, agressão, intolerência, falsidade. Mas, para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo vamos todos terminar da mesma maneira, mortos sem levar nada material deste mundo. Portanto, não gaste energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem, que não seja correta. Porque, no final das contas, chique mesmo é investir em conhecimento que pode nos tornar sábios... e, acima de tudo, chique é ser feliz!

 

Glorai Kalil.JPG