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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns...

29.08.21

Arte Moderna: Do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos - Resumo - Parte 5


Bete do Intercambiando

Preparamos este resumo do Livro de Giulio Argan - Companhia das Letras - 2010, por tratar-se de matéria recorrente aos concursos dos professores de Arte. Aqui você encontra a parte 1,  parte 2. Aqui a parte 3,  e a parte 4.

As duas últimas décadas do século XIX

Na página 215 começa-se a traçar um panorama das duas últimas décadas do século XIX, onde Argan situa os grandes mestres do Impressionismo, como Monet, Degas, Renoir, Cézane, que ainda continuam em atividade, e retrata a passagem meteórica de Van Gogh, como de suma importância na quebra de paradigmas e construção de poéticas que mudam o curso do cientificismo dos neoimpressionistas e do espiritualismo dos simbolistas.

Argan define o trabalho de Gaugin, como protagonista em superar o limite sensorial do Impressionismo, "reencontrando uma possibilidade de contemplação para além da experimentação", embora, admita que sua experiência não renuncia de todo às experiências Impressionistas, mas atribui valores imaginários às coisas (árvores vermelhas, cavalos azuis) e cita Maurice Denis que declarava que

"um quadro não é senão uma superfície coberta de cores dispostas numa certa ordem, anulando assim a distinção entre pintura de representação e pintura decorativa: O valor não é mais a realidade representada no quadro (objetiva ou subjetiva, visual ou imaginária) e sim o próprio quadro como objeto fabricado e que, portanto, vale pelo que é e não por aquilo com que se parece. E esta será a premissa que partirão os FAUVES e os CUBISTAS, na pesquisa sobre a constituição e a estrutura intrínseca do quadro, movendo-se numa direção paralela à dos arquitetos, para os quais a forma do edifício depende, antes de mais nada, da estrutura". (pag. 216).

Denis+Maurice+-+LES+TROIS+MUSES+(1893)+.jpg

As Musas - Maurice Denis - 1893. Musée D'Orsay- Paris.

É preciso, pois, encontrar uma  síntese, obter a soma de tantas pesquisas divergentes, definir, enfim, qual pode ser a função e o valor da arte na sociedade da época.

Gaudi X Adolf Loos

Nas páginas 220 e 222 Argan traça um paralelo entre a arquitetura de Gaudi e de Loos, contrapondo-lhes o estilo e o propósito.

Enquanto Gaudi entregou-se à arquitetura religiosa, está aí a "Sagrada Família" em Barcelona, na qual Gaudi dedicou boa parte de sua vida, em um estilo que, segundo Argan, não perpassa pelas influências do Barroco tardio, mas resvala pelo art nouveau, para se concretizar numa construção religiosa. 

"Uma arte religiosa não é uma representação do divino, e sim um ato de devoção: portanto é ornamento, imagem. A arquitetura laica se ocupa das coisas, mesmo tentando fazer com que a coisa reflita sua própria razão de ser; uma arquitetura religiosa é uma arquitetura de pura imagem, assim como um cântico não é um discurso sensato e coerente, e sim um impetuoso ritmo crescente de sons." pag. 220

Vista-da-Sagrada-Família.jpeg

Vis ta da Sagrada Família em Barcelona - Gaudi - Início da Construção 19.03.1882. Inauguração: 07.11.2010

Já Adolf Loos assume uma posição ideológica oposta à de Gaudi, à medida que assumia uma posição dura e crítica com relação ao Art Nouveau e a Secessão, sugerindo um rígido pragmatismo: "A sociedade não precisa de arquitetura, mas de moradias" declara ele.(pag. 222). "Enquanto faltarem moradias é imoral gastar dinheiro para transformar as moradias em arquitetura".

Almacenes_Goldmand___Salatsch___en_Michaelerplatz_A Looshaus na Michaelerplatz. Adolf Loos_ 1911 A construção mostra a rigidez do estilo de Loos, embora seu interior possua detalhes que demonstrem que não foi uma construção econômica, como mostra os detalhes de seu teto de gesso. 

Looshaus_innenansicht_4.jpg

Argan finaliza o capítulo propondo uma reflexão sôbre a obra de Gaudi e Loos: 

"Ao contrário do que se gostaria, a arte não pode ser "de seu tempo": ela antecipa a ele com o sentimento de progresso, (caso de Loos), ou se dobra sobre o passado com o sentimento de decadência (é o caso de Gaudi, mas também de Munch, Ensor e Klimt). O progresso é racional, a decadência inevitável. O contraste reflete um dilema mais grave: o progresso, motivo de orgulho da sociedade moderna, é ascensão da humanidade para a salvação, ou uma louca corrida para a ruína?

 

Bibliografia:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.