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Preparamos este resumo do Livro de Giulio Argan - Companhia das Letras - 2010, por tratar-se de matéria recorrente aos concursos dos professores de Arte. Aqui você encontra a parte 1, a parte 2, a parte 3, a parte 4, e a parte 5.
O EXPRESSIONISMO - A Arte como Expresssão
Na página 227 Argan começa a discorrer sobre o Expressionismo que, diferente do Impressionismo que seria um movimento do exterior para o interior, o Expressionismo é o movimento inverso do interior para o exterior: É o sujeito que por si só imprime o objeto. (Argan, pag. 227).
O Expressionismo é um fenômeno europeu do início do século XX com dois centros distintos: o movimento francês dos Fauves (Feras) e o movimento alemão Die Brücke (A Ponte). Os dois movimentos se formaram quase que simultâneamente em 1905 e desembocaram respectivamente no Cubismo na França (1908). e na corrente Der Blaue Reiter ( O Cavaleiro Azul) na Alemanha (1911).
A origem comum é a tendência antiimpressionista que se gera no cerne do próprio Impressionismo, como consciência e superação de seu caráter essencialmente sensorial, e que se manifesta no final do sec. XIX com Tolouse-Lautrec, Gaugin, Van Gogh, Munch e Ensor. Diante da realidade o Impressionismo manisfesta uma atitude sensitiva, e o Expressionismo uma atitude volitiva (capacidade de escolha consciente), por vezes o expressionismo torna-se até agressivo.
Ambos os movimentos trabalham com a realidade e exigem a dedicação total do artista nesta questão da realidade, mesmo que no Expressionismo se resolva no plano do conhecimento, e no Impresssionismo no plano da ação. Exclui-se, porém, a hipótese simbolista de uma realidade para além dos limites da experiência humana, transcendente, passível de ser deslumbrada, apenas, no símbolo ou imaginada no sonho. Assim se esboça, a partir daí, a oposição entre uma arte engajada, que tende a incidir profundamente sobre a situação histórica, e uma arte de evasão, que se considera alheia e superior à história. O Expressionismo coloca o problema da relação concreta com a sociedade e, portanto, da comunicação.
No tema da existência Nietzsche e Bergson, exercem grande influência, sendo, respectivamente, ao movimento alemão da Brücke e ao francês dos Fauves.
"Para Nietzsche a consciência é a existência, mas esta é entendida como vontade de existir em luta contra a rigidez dos esquemas lógicos, da inércia do passado que oprime o presente, a negatividade total da história. Já para Bergson, a consciência é, no sentido mais amplo do termo, a vida; não uma imóvel representação do real, mas uma comunicação ativa e contínua entre sujeito e objeto.
Neste capítulo Argan concentra-se em apresentar as diferenças entre o expressionismo alemão e francês e seus principais artistas, colocando Matisse como um dos principais expoentes do movimento, pela sua versatilidade em mostrar um mundo idealizado, como se gostaria que ele fosse: uma idade de ouro em que não há distinção entre os seres humanos e a natureza, tudo se comunica, tudo se associa, as pessoas se movem livres como se feitas de ar, a única lei é a harmonia universal, o amor (pag. 234). Tudo isso fica muito claro em sua obra La joie de Vivre (1906), abaixo
Segundo Argan, fica muito difícil conciliar a classicidade, o impressionismo universal de Matisse com a qualificação de expressionista, contudo, a expressão da alegria é tão expressão quanto a expressão da dor de viver, e pode-se expressar alegria de viver sem representar a vida. Até mesmo as cores em seu contexto são muito mais do que seriam isoladamente e se completam quando todas as cores alcançaram o limite do espectro e concordam entre si em seus valores máximos. (pag. 235)
Já a situação alemã parecia confusa. O expressionismo alemão pretendia ser precisamente uma pesquisa sobre a gênese do ato artístico: no artista que o executa e, por conseguinte na sociedade a que ele se dirige. Dier Brüke propõe a união dos "elementos revolucionários e em efervecência" para constituir uma frente contra o Impressionismo. Os temas dos expressionistas alemães geralmente estão ligados à crônica da vida cotidiana ( a rua, as pessoas, os cafés) e, em suas obras percebem-se uma certa rudeza, um certo incômodo.
Two Womans - Karl Schmidt Rottluff_ 1915
Esse capítulo é bastante explicativo sobre o movimento, seus encontros e desencontros, mas fica muito clara a sua força em sua época, e até como ruptura com o classicismo e o impressionismo, mesmo retomando dados históricos e filosóficos, como é o caso de Matisse, com seu hedonismo que retoma à filosofia Epicurista.
Bibliografia:
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
Preparamos este resumo do Livro de Giulio Argan - Companhia das Letras - 2010, por tratar-se de matéria recorrente aos concursos dos professores de Arte. Aqui você encontra a parte 1, parte 2. Aqui a parte 3, e a parte 4.
As duas últimas décadas do século XIX
Na página 215 começa-se a traçar um panorama das duas últimas décadas do século XIX, onde Argan situa os grandes mestres do Impressionismo, como Monet, Degas, Renoir, Cézane, que ainda continuam em atividade, e retrata a passagem meteórica de Van Gogh, como de suma importância na quebra de paradigmas e construção de poéticas que mudam o curso do cientificismo dos neoimpressionistas e do espiritualismo dos simbolistas.
Argan define o trabalho de Gaugin, como protagonista em superar o limite sensorial do Impressionismo, "reencontrando uma possibilidade de contemplação para além da experimentação", embora, admita que sua experiência não renuncia de todo às experiências Impressionistas, mas atribui valores imaginários às coisas (árvores vermelhas, cavalos azuis) e cita Maurice Denis que declarava que
"um quadro não é senão uma superfície coberta de cores dispostas numa certa ordem, anulando assim a distinção entre pintura de representação e pintura decorativa: O valor não é mais a realidade representada no quadro (objetiva ou subjetiva, visual ou imaginária) e sim o próprio quadro como objeto fabricado e que, portanto, vale pelo que é e não por aquilo com que se parece. E esta será a premissa que partirão os FAUVES e os CUBISTAS, na pesquisa sobre a constituição e a estrutura intrínseca do quadro, movendo-se numa direção paralela à dos arquitetos, para os quais a forma do edifício depende, antes de mais nada, da estrutura". (pag. 216).
As Musas - Maurice Denis - 1893. Musée D'Orsay- Paris.
É preciso, pois, encontrar uma síntese, obter a soma de tantas pesquisas divergentes, definir, enfim, qual pode ser a função e o valor da arte na sociedade da época.
Gaudi X Adolf Loos
Nas páginas 220 e 222 Argan traça um paralelo entre a arquitetura de Gaudi e de Loos, contrapondo-lhes o estilo e o propósito.
Enquanto Gaudi entregou-se à arquitetura religiosa, está aí a "Sagrada Família" em Barcelona, na qual Gaudi dedicou boa parte de sua vida, em um estilo que, segundo Argan, não perpassa pelas influências do Barroco tardio, mas resvala pelo art nouveau, para se concretizar numa construção religiosa.
"Uma arte religiosa não é uma representação do divino, e sim um ato de devoção: portanto é ornamento, imagem. A arquitetura laica se ocupa das coisas, mesmo tentando fazer com que a coisa reflita sua própria razão de ser; uma arquitetura religiosa é uma arquitetura de pura imagem, assim como um cântico não é um discurso sensato e coerente, e sim um impetuoso ritmo crescente de sons." pag. 220
Vis ta da Sagrada Família em Barcelona - Gaudi - Início da Construção 19.03.1882. Inauguração: 07.11.2010
Já Adolf Loos assume uma posição ideológica oposta à de Gaudi, à medida que assumia uma posição dura e crítica com relação ao Art Nouveau e a Secessão, sugerindo um rígido pragmatismo: "A sociedade não precisa de arquitetura, mas de moradias" declara ele.(pag. 222). "Enquanto faltarem moradias é imoral gastar dinheiro para transformar as moradias em arquitetura".
A Looshaus na Michaelerplatz. Adolf Loos_ 1911 A construção mostra a rigidez do estilo de Loos, embora seu interior possua detalhes que demonstrem que não foi uma construção econômica, como mostra os detalhes de seu teto de gesso.
Argan finaliza o capítulo propondo uma reflexão sôbre a obra de Gaudi e Loos:
"Ao contrário do que se gostaria, a arte não pode ser "de seu tempo": ela antecipa a ele com o sentimento de progresso, (caso de Loos), ou se dobra sobre o passado com o sentimento de decadência (é o caso de Gaudi, mas também de Munch, Ensor e Klimt). O progresso é racional, a decadência inevitável. O contraste reflete um dilema mais grave: o progresso, motivo de orgulho da sociedade moderna, é ascensão da humanidade para a salvação, ou uma louca corrida para a ruína? (pag. 225)
Bibliografia:
ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.
Era uma menina de franjinha, vestido de tecido grosso, rodado e cavado. Os pés descalços, como sempre estavam! No rosto, um misto de alegria e excitação. Ela sempre estava assim, era curiosa, amava conhecer tudo, saber de tudo... E à noite, o medo!...
O medo das almas penadas. Nunca as tinha visto, mas morria de medo delas. Ou será que era uma desculpa para dormir no quarto dos pais?
O tempo passou. E, deste medo só ficaram as lembranças. Hoje ela é forte! Seus medos a impulsionaram a seguir em frente!
Durante algum tempo, no passado, já adulta e com filhos, ainda tinha pesadelos e, neles, olhos avermelhados a espreitavam. Acordava assustada, coração acelerado e, muito, muito medo!
Até que um dia, ela encarou aqueles olhos e lhe disse: - Não tenho medo de você!... E seguiu sem olhar para trás!