Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns...

02.12.17

A Atualidade de Thomas Morus


Bete do Intercambiando

O livro Utopia de Thomas Morus (1480-1535) foi escrito em  1516 e logo nas primeiras páginas é possível identificar sua atualidade, apesar dos anos que nos separam. Logo percebe-se que muito pouco mudou nas desigualdades sociais, apesar de todos os avanços que tivemos, desde então.

Logo na página 42,  Rafael Hitlodeu, personagem do livro que, ao que parece, realmente existiu, faz uma reflexão sobre a situação dos serviçais, cujos patrões faleciam ou empobreciam, deixando-os à deriva, sem trabalho, sem sustento, sem teto e sem alternativas de sobrevivência, tendo, muitas vezes que roubarem para se manterem... E, uma vez pegos em ação, eram enviados à forca. É também uma crítica à dureza com que eram tratados esses cidadãos cujo maior crime era o de não achar ninguém que aceitasse os seus serviços.

O personagem reflete também sobre o avanço do pastoreio de ovelhas que sustentava a indústria da lã que começava a despontar, em detrimento das áreas agrícolas que, bem ou mal, empregavam um número bem maior de mão de obra.

É interessante notarmos já neste ano de 1516 a preocupação crescente com os avanços de uma sociedade que a cada dia utilizaria menos mão de obra. E sobre os monopólios já existentes, neste caso, sobre o preço da lã e da engorda do gado, imputando aos mais ricos e gananciosos a culpa pelo desequilíbrio social que havia e traçar paralelos destes cidadãos com a burguesia e a nobreza que ostentavam luxo nas vestes, na alimentação e em suas vidas lascivas.

O personagem aponta o dedo para o abandono de milhares de crianças aos "estragos de uma educação viciosa e imoral. A corrupção emuchece, à nossa vista, essas jovens plantas que poderiam florescer para a virtude, e, vós as matais quando tornadas homens e cometem os crimes que germinam desde o berço em suas almas". (pag.44)

Não estaríamos nós, também, deixando nossas crianças ao abandono quando nos negamos a educá-las para uma vida de responsabilidades? Ao não lhes cobrar estas responsabilidades, deixando-as livre para escolherem estamos supondo que estas crianças já possuem discernimento para entenderem o que é bom ou ruim para si o que , na maioria das vezes, não é verdade. Se a própria lei considera o limite de 18 anos para qualquer indivíduo responder pelos seus atos, quer dizer que, antes disso, temos nós pais e educadores que mostrar-lhes os caminhos.

É impossível para quem leciona no Brasil, não traçar paralelos com nossa atual situação, não apenas social, de desigualdades crescentes, como na própria educação, onde discursos vazios e comodismos imputam às nossas crianças essa educação "viciosa e imoral". Viciosa porque as famílias deixam a educação por conta da escola e esta acha que não é sua responsabilidade e sim dos pais. Imoral porque não corrigem seus erros, apenas maquiam números que lhes servirão para receber seus bonus e servem a uma política eleitoreira e corrupta.

 

REFERÊNCIA

MORUS Thomas. A Utopia. São Paulo: Atena Editôra, 1956

 

E-REFERENCE

https://cronicas-portuguesas.blogspot.com.br/2007/12/rafael-hitlodeu-um-notvel-portugus-do.html  - acesso em 02.12.2017

 

Resultado de imagem para crianças abandonadas

foto: http://www.paraiba.com.br/2011/03/28/23236-conselho-tutelar-resgata-duas-criancas-abandonadas-no-bairro-de-mandacaru-uma-tinha-7-meses-e-a-outra-4-anos, acesso em 02.12.2017

 

Como este tema "Utopia" nos é muito caro, desenvolvemos aqui uma proposta para construirmos nossas "Pequenas Utopias"

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.