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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns...

09.07.20

A Utilidade do Belo


Bete do Intercambiando

Revendo um post que escrevi aqui em 2010, sobre a curiosidade que eu e algumas amigas tivemos para saber a utilidade de lindos cestos tailandeses que estavam expostos em uma vitrine, dei-me conta que, naquele momento eu ainda não entendia que o belo não necessita de utilidade... Ele se basta... Dele se extrai o prazer, a inspiração, o bem estar, a leveza.

Para Kant apud Chauí, a verdade da experiência está na consciência de sua subjetividade e na certeza de seu caráter inseparável do sujeito e, portanto, das ideias que o sujeito traz em si.

Na verdade, para o filósofo, seria impossível provar que uma coisa é bela sob a alegação de que ela pertence à certa classe de coisas, ou por ter determinadas características definíveis, pois os nossos juízos não se referem aos objetos em si, mas aos nossos sentimentos de satisfação ou insatisfação na percepção dos objetos.Os juízos estéticos, portanto, referir-se-iam aos sentimentos do observador pelos objetos percebidos e não às características existentes de antemão no próprio objeto.

E é interessante notar que esse juízo estético pode ser construído historica e socialmente, também. Estão aí os monumentos emblemáticos de determinadas sociedades que não nos deixam mentir. Como é o caso da Torre Eiffel, por exemplo, que foi motivo de grandes discussões entre a elite intelectual da época, achando-a de mau gosto e sem nenhuma utilidade. Ela só escapou de ser demolida vinte anos depois, como mandava o contrato de comodato da mesma, não fosse sua utilidade como transmissora de rádio na primeira guerra mundial que salvou Paris de ser bombardeada pelos alemães. E, desde então, deu no que deu, sendo hoje, o monumento mais visitado do mundo e se transformou na imagem icônica da cidade luz.

No decorrer de nossos estudos temos percebido que a arte, e coloco aí também o belo, realmente "libera", ou "purga", como prefere Aristóteles, nossos sentimentos, os expõe, alivia. Vejo isso mais para quem "faz", do que para quem "vê" a arte propriamente dita.

Exemplo disso, ontem recebi essa foto de minha irmã, com mais uma "caixa prá guardar o que quiser" que ela tinha feito e ao lado da foto os dizeres: "O criador ama sua criatura". E eu pergunto: não é o que realmente importa?... Se irá ou não ter utilidade isso será apenas um plus ao que o objeto já encerra em si.

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Bibliografia

KANT, I. Textos selecionados. Seleção de textos de Marilena de Souza Chauí. Tradução de
Tânia Maria Bernkopf, Paulo Quintela e Rubens Rodrigues Torres Filho. 2. ed. São Paulo:
Abril Cultural, 1984.

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