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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns...

01.12.20

Arte Moderna: Giulio Carlo Argan - Resumo - Parte 2


Bete do Intercambiando

Por ser o livro "Arte Moderna: do Iluminismo aos Movimentos Contemporâneos", de Giulio Carlo Argan - Companhia das Letras - 2010, de suma importância aos professores de Arte, e a todos aqueles que estudam Arte, colocamos aqui um breve resumo da pag. 83 à pag.155. A parte 1 encontra-se aqui.

Quando Argan discorre sobre o neoimpressionismo de Seurat (1859-91) e Paul Signac (1863-1935) e o simbolismo de Gustave Moreau (1826-98), coloca-os como objetos de estudo e nas pesquisas estruturais dos Fauves e do Cubismo . Coloca o Simbolismo como uma antecipação do Surrealismo,  concepção surrealista do sonho como revelação da realidade profunda do ser, da existência inconsciente. (pag. 84).

O autor analisa também a arquitetura do período, com a utilização em ferro, vidro e concreto nas construções. Segundo ele, estes elementos não eram uma invenção moderna, sendo que os romanos já utilizavam o concreto na Roma Antiga, e no século XVIII já se construíam pontes com ferro.

"As condições efetivas que levaram à utilização do ferro e do cimento como materiais de construção são:

1. A produção desses materiais em grande quantidade e baixo custo.

2. A possibilidade de transportá-los facilmente, também sob a forma de elementos pré-fabricados, das fábricas aos canteiros de obra.

3. Suas qualidades intrínsecas de material de sustentação e a possibilidade de cobrir amplos espaços com uma área mínima de suportes.

4. A economia no tempo e no custo da construção.

5. O progresso da ciência das construções e do cálculo matemático das cargas e empuxos.

6. A formação de escolas especializadas para engenheiros"  pag. 84

Cita, então, o Palácio de Cristal (1851) para a Exposição Universal de Londres, de Joseph Paxton, a Torre Eiffel de Gustave Eiffel (1887-9), A Mole Antonelliana em Turim (1863-78) de Alessandro Antonelli, o Salão de Leitura da Bibliotèque Nacionale (1858-68) de Henri Labrousti, entre outros, como exemplos da explosão desses recursos arquitetônicos.

Palácio Cristal Londres 1851.jpg

Palácio de Cristal  para a Exposição Universal de Londres de 1851  de Joseph Paxton.

Ele traça um paralelo entre essas obras e os desenhos dos impressionistas à medida que essas obras  "estão inscritas no céu como um desenho de contorno numa folha de papel, com traços mais grossos, mais finos, que permitem diferenciar a qualidade cromática do fundo" (pag. 86). "Simultâneamente, porém, traz uma grande carga simbolista, pois suas estruturas e formas não mais se submetem ao princípio naturalista do equilíbrio estático dos pesos e resistências; ela já não pretende ser representativa da autoridade política ou religiosa e sim, expressiva de uma ideologia progressista no próprio arrojo de suas linhas"... pela primeira vez na arquitetura, cabe falar em signo, em vez de forma.

REALISMO

Ao tratar de realismo o autor cita Coubert em sua obra "Moças à Margem do Sena" (1857), onde o artista abandona tudo o que considera poético à priori: o belo, o gracioso, o sentimento da natureza, apenas para mostrar a realidade de como ela é: Moças não tão graciosas, indolentes, roupas desalinhadas... Não são heroínas, nem ninfas. Coubert não idealiza, nem dramatiza, apenas representa a realidade como ela é.

Moças à margem do sena_Gustave_Courbert.jpg

Moças à Margem do Sena - Gustave Coubert - 1857

"Há o prazer do descanso, mas também a opressão da tarde abafada; sensualidade e tédio, beleza e vulgaridade, provocação e indolência. A realidade é complexa, às vezes confusa: é preciso aceitá-la como ela é" (pag. 94)

Quando Argan compara o sec. XIX na arte da França e da Itália, fica claro o relativo atraso desta em relação a arte francesa que, das quebras paradigmáticas do romantismo, do realismo e do simbolismo fez surgir o Impressionismo e o Neo Impressionismo, enquanto na Itália a situação romântica tinha dificuldade em se concretizar pelas suas condições históricas, social e cultural. Se na França a revolução foi a mola propulsora dos avanços nessas áreas, na Itália a dominação austríaca e as monarquias absolutas eram barreiras contra qualquer perspectiva de reforma e progresso social (pag. 155).

 

Bibliografia:

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna: do Iluminismo aos movimentos contemporâneos. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.