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INTERCAMBIANDO

Blog para fazer amigos pelo mundo, falar do cotidiano, experiências , sentimentos e relacionamentos das pessoas comuns...

14.07.20

Contemplar o Belo em Cima de uma Árvore


Bete do Intercambiando

Há dias atrás publiquei aqui um texto de Augusto Cury sobre a contemplação do belo como um recurso para a paz e a felicidade. E lancei um desafio aos meus alunos de Projeto de Vida para que refletissem sobre isso e postassem suas imagens de contemplação no mural criado dentro do post.

Um deles postou sobre as frutas que ele gosta de contemplar, o que remeteu-me à minha infância onde as frutas eram muito mais que saciar o corpo. 

Era um ritual diário que passava por muitas etapas, embora sazonais.

Este ritual, geralmente começava após o almoço, quando a sobremesa seria uma pinha colhida do lugar mais alto do pé, onde, com certeza estariam as mais docinhas e davam maior prazer na coleta. E de lá de cima eu gritava:

- Mamãeeee, e dava com a mão.

E ela gritava:

-Desce já daí menina, vem lavar a louça...

Um pouco mais tarde, depois de lavar a louça, claro,  descia para o jardim da cidade onde encontrava com minhas primas e amigas e já vinha o convite para irmos até o pomar da casa delas chupar laranjas, ou mangas, conforme a temporada. E, sem dúvida nenhuma, subir no pé para apanhar as mais bonitas fazia parte dos planos e do prazer.

Como éramos "um saco sem fundo", como diziam os mais velhos, saíamos de lá e íamos pular a cerca da escola para "roubar" amoras roxinhas, docinhas, deliciosas...

Às vezes nos finais de semana, íamos para o sítio Bery, onde moravam 15 primos queridos e um número enorme de mangueiras, pereiras, uvas japonesas (conhecem? não tem nada a ver com as uvas que conhecemos), cana, enfim, um verdadeiro festival de frutas e brincadeiras à sombra delas.

Ah, e a viagem até lá era uma emoção à parte...

Em cima da carroceria do caminhão do tio João ou do tio Agostinho, ia aquele bando de criança solta em cima daquela carroceria, sem cinto de segurança, nem nada. Cada buraco da estrada, uma nova emoção!... Era tudo tão natural, livre, libertário.

Sem querer ser saudosista, pois vivo o hoje com a mesma felicidade, essas lembranças me deixam um gostinho de ter vivido a vida intensamente.

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A filha parece que herdou o gosto da mãe pelas alturas. Foto de 2012